A maior cidadezinha do mundo

Pausa pra comentar de mais um causo fantástico dessa pequena grande cidade, Belorizontem.

Pra todo lugar que eu vou, eu encontro conhecidos. Não sei se é porque eu conheço muita gente, porque o mundo é um lugar pequeno, ou porque Belo Horizonte é o maior ovo do mundo.

Na época que eu morava nos Eua, pegava uma conexão em Miami pra voltar pra casa. Eu ficava lá umas 4 horas, por causa do horário dos vôos. Não aconteceu nenhuma vez de eu não encontrar conhecidos.

Outro dia fui numa balada em Berlim e, final de noite, todo mundo bêbado, puxei conversa com uma menina. Falei que era do Brasil, ela perguntou ‘da onde’, eu falei ‘Belo Horizonte’, e ela disse tinha acabado de conhecer (e pegar) um cara de lá. Eu duvidei, ela mostrou o whatsapp, e era um calouro meu. Até mandei mensagem em português pro cara.

Outro dia, festinha do CS, o John tinha um couchsurfer brasileiro em casa. Encontrei o Pedro e dissemos pras pessoas em volta que não demoraria mais de 5 minutos pra encontrarmos uma pessoa que ambos conhecessem. Devíamos ter marcado o tempo, porque rapidíssimo descobrimos que o Pedro tinha estudado física com a Flavinha, na UFMG. Foto pra prima :D

Ontem a Mel, alemã que que eu conheci outro dia, postou no facebook que estava vendo jogo comigo. Um moço, Wallyson, comentou ‘que coisa, ela é da mesma cidade que eu!’. Fui ver, e batata: é o marido da Nanda, irmã da Aninha, das épocas do GJ.

Mundo pequeno!!!

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A copa do mundo é nossa

Com brasileiro, não há quem possa!

Eu achei que nem ia ligar de não estar no Brasil durante a copa. Que boba! Estou mesmo é morrendo de inveja e de saudade de casa. Mas enquanto eu vejo Beagá só pela tevê, estou aproveitando o que dá dessa copa.

Minhas coisas preferidas de ver a Copa do Brasil aqui de longe:

1. O Brasil está na moda. De bandeirinhas do Brasil distribuídas no bar, a Brahma vendida mais caro que cerveja alemã no supermercado, a até uma barraquinha de comida brasileira na estação central, a vida está mais fácil pros brasileiros com saudade de casa. Isso aí é uma coxinha, gente!

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2. As notícias das manifestações estão chegando aqui sim, e volta e meia tem amigo gringo postando no facebook reportagens tipo ‘o que você não sabe sobre a copa do brasil’ ou ‘o que significa o #naovaitercopa’. Várias pessoas já me perguntaram sobre o que está acontecendo, e se interessam, querem saber como está a situação. Copa também é visibilidade!

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3. A oportunidade de ver jogos de várias seleções com pessoas desses vários países, e de gente que já morou nesses países, e de gente que está torcendo porque tem simpatia por esse país.

Pela nossa mesa já passaram alemães, finlandeses, mexicanos, uruguaios, italianos, croatas, holandeses, indianos, paquistaneses, americanos, romenos, australianos, canadenses, e até brasileiros!…

Fico me lembrando de um campeonato brasileiro que eu acompanhei em Salvador, num projeto que tinha gente do Brasil inteiro, e era fantástico ter sempre alguém pra zoar – ou pra ser zoado. Aqui seria a mesma coisa se esse pessoal de fato gostasse se futebol em vez de ir no bar pela bagunça, mas tudo bem, que também pode!

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4. Ver jogo como os alemães vêem. De ver jogo no escritório, com 70 pessoas reunidas e DUAS levantando pra comemorar o gol… a ir no estádio ver o jogo no maior telão do país e a galera cantando e gritando junto (bom, germanicamente, mas já foi algo).

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5. Ver uma quantidade infinita de jogos. Como o horário dos jogos no Brasil é definido em função de quem está na Europa, quem se dá bem soy yo. Vi pelo menos um pedaço de 33 dos 48 jogos da fase de grupos, e acho que na 2a fase meu aproveitamento vai ser 100% fácil.

Vendo jogo na estação de trem:
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6. Andar de verde-e-amarelo e me destacar na multidão :) No Brasil todo mundo está de amarelo, mas aqui a minha camisa canarinho faz muito sucesso. As pessoas gritam ‘Brasilien!’ e mexem na rua. Ontem um cara abriu o maior sorriso pra mim no bonde. Melhor ainda é poder barbarizar na maquiagem porque ninguém me conhece mesmo :D

Brasil vs Camarões:
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Brasil vs Chile:
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Sim, está ficando mais grave :D

7. Apesar de toda a torcida contra – porque pode ter certeza, uma hora dessas só torce pro Brasil quem já está eliminado! – ver o Brasil ganhar, sofrido, nos acréscimos, com gol feio… mas ganhar ;D Bora, Brasil!

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Sobre o Kaique

Ontem, acharam o corpo de um adolescente morto em SP.

Ele tinha dezesseis anos e foi encontrado sem os dentes. A família acredita que tenha sido porque o rapaz é homossexual.

Que foi crime de ódio, não há dúvida. O que é que um rapaz de 16 anos pode ter feito, pra incitar tanto ódio?

***

“O boletim de ocorrência notificou a morte como suicídio”. Até quando vamos ignorar o motivo da violência e fingir que não temos nada com isso? Se foi suicídio, então eu posso continuar contando piada de gay e achando engraçado?

***

Aqui na Alemanha eu não acompanho muito as notícias, mas não lembro de ter visto nada nem parecido.

O que tem parecido é que aqui também tem gente de cabeça fechada que acha que ensinar sobre diversidade sexual nas escolas é fazer propaganda homossexual. Porque é claro que orientação sexual, a gente escolhe a que está mais na moda. Curioso que, apesar de toda a propaganda hetero nos filmes, nas novelas, nos livros, na rua, ainda assim tenha gente que não se convença, hein?

Faz um tempo que eu quero escrever sobre privilegios. Tenho a impressao de que nada que eu escreva vai ser tao bom quanto varios textos que eu ja’ li por ai, mas como eu quero falar mais sobre esses topicos, vai ser um exercicio valido mesmo que marromenos ;).

Eu passei muito tempo acreditando nessa historia de meritocracia. ‘E bom pro ego acreditar nisso. Afinal de contas, se eu passei num vestibular concorrido, se eu consegui um emprego bacana, se eu moro na Europa, ‘e merito meu, certo? Eu que consegui, por esforco proprio!

Mas muito mais que merito, eu tive (e tenho) privilegios. Merito quem teve foram meus pais, que me deram tantos privilegios – e eles tambem tiveram seus proprios privilegios, mas nao me cabe falar disso.

Eu tive o privilegio de estudar em colegios bons (e caros) a vida toda. De fazer aula de danca, natacao, artes, ingles, frances, alemao, cursinho, o escambau. De ter enciclopedias enormes em casa (duas: a Barsa e a Exitus). De ter tido um laboratorio de fisica e, anos mais tarde, de quimica. De ter muitos livros em casa. De ter acesso a computador, internet, televisao a cabo. E ‘e so’ merito meu ter passado no vestibular?

Eu tive o privilegio de ouvir linguas estrangeiras desde cedo em casa; de ver pessoas viajando para o exterior. Tive o privilegio de ter minha primeira viagem ao exterior totalmente bancada pelos meus pais, e pude contar com um emprestimo pra fazer minha segunda. Tive o enorme privilegio de ganhar totalmente de graca e sem esforco (da minha parte, claro – porque foi um parto pra minha irma e pro meu pai) minha cidadania europeia. E ai ‘e so’ merito meu morar na Europa?

Nao estou dizendo que, mesmo que eu fosse uma ameba, seria tudo igual. Estou dizendo que varios outros fatores, alem do meu proprio esforco, empenho, merito, foram e sao determinantes na minha vida – e na vida dos outros tambem.

E’ por isso que precisamos de acoes afirmativas. Porque nao ‘e todo mundo que sai do mesmo ponto, nao ‘e todo mundo que tem os mesmos privilegios.

Eu passei a vida toda rodeada de gente com mais ou menos o mesmo berco de ouro, entao demorei a notar. Foi so’ quando eu trabalhei como professora num pre-vestibular pra alunos da rede publica ‘e que eu entendi o tamanho do problema.

Aqueles meninos e meninas nao tinham internet em casa, muito menos enciclopedia. Se eles nao entendessem uma questao do dever de casa, nao tinham mae pos-graduada em casa pra ajudar a resolver. Imagino que muitos deles nao tivessem nem mesmo um lugar apropriado pra estudar – mesa, cadeira, luz.

Muitos deles (senao todos) trabalhavam durante o dia, e iam ‘as aulas de noite. Quando sobrava tempo pra estudar? Imagino que nunca, porque os exercicios que eu preparava pra casa ficavam sempre em branco. Pra mim, passar no vestibular, fazer faculdade, sempre foi uma coisa que obviamente aconteceria. Quantos desses jovens tinham pais nem acreditavam que eles seriam capazes de passar no vestibular?

Agora imagine voce que uma dessas meninas que estudou comigo seja cinco vezes mais inteligente que eu. Cinco vezes mais esforcada. Durma 50% menos pra dar conta de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Voce acha que ela conseguiria as mesmas coisas?

E mesmo que, sendo assim uma super-heroina, ela tenha passado no vestibular e conseguido um emprego fenomenal e ido morar onde quisesse – ‘e justo que pra isso ela tenha que ter sido uma super-heroina, e que eu pudesse ficar assistindo sessao da tarde e tomando danoninho e conseguir os mesmos resultados?

***

O melhor argumento que eu conheco contra acoes afirmativas (e especialmente contra as cotas) ‘e que o ideal seria investir em educacao publica de qualidade, por exemplo. Eu concordo que isso ‘e necessario e urgente. Mas faz sentido esperar isso sem fazer nada ja’?

Imaginemos que, de repente, ano-novo-vida-nova, tivessemos magicamente um ensino basico de qualidade. Quantos anos ia demorar pra, a partir de agora, se formarem as primeiras pessoas que dependessem desse sistema? E quantos anos vai demorar pra termos esse sistema?

Vai ser otimo quando isso for realidade (porque eu acredito que chegaremos la’). Mas como a gente faz pra dar agora, ja’, de uma vez, oportunidades pra quem teve menos privilegios? Se souberem de um jeito que nao passe por acoes afirmativas, me avisem.

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Eu adoro a ideia desse desenho, apesar de nao curtir muito o desenho em si.

 

No dia 30, o taxista que me levou ao aeroporto comentou que é uma puta falta de sacanagem que eles não possam aumentar os preços pro ano novo. Que pra ele não faz sentido trabalhar no dia 31, já que ganha a mesmissima coisa que ganharia no dia 5, 10, ou 23. Se os hotéis aumentam os preços, se o transporte aéreo aumenta os preços, se até o pessoal do açaí já aumentou os preços pro Reveillon e pra Copa, por que eles não podem?

Fiquei sem saber como responder, e dei gorjeta.

E dei uma gorjeta maior pro garçom que me atendeu num pub, nove da noite do dia 31. Eu ia sair dali pra ir pra festa, ele não =/

Eu acho lindo que aqui na Alemanha nada abra aos domingos porque as pessoas precisam descansar e coisa e tal. E eu acho luxo e sedução esses lugares que têm leis trabalhistas mais frouxas e que deixam as pessoas trabalharem (pra mim) em dias e horários que eu mesma não quero trabalhar.

Como faz pra conciliar?

Sobre o tempo

Encontrei um site que fala sobre as medias do tempo em vários lugares e estou confirmando o que eu tinha sentido: que Salvador tem o melhor clima da face da terra (na minha opinião, logico); que BH tem o melhor clima pras pessoas normais, e que Frankfurt tem um clima horrível pra todo mundo. Senao, vejamos:

Quesito 1: tempo médio morrendo de frio

Esses graficos mostram o tempo medio em varias faixas de temperature: frigid (menos de -9°C), freezing (de -9°C a  0°C), cold (0°C a 10°C), cool (10°C a 18°C), comfortable (18°C a 24°C), warm (24°C a 29°C), hot (29°C a 38°C) and sweltering (mais de 38°C).

Em Frankfurt, pobre Isil passa frio ate’ no verao:

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Em BH, a maioria das pessoas fica feliz porque a temperatura fica entre 13°C e 29°C e raramente fica abaixo de 10°C ou acima de 32°C.

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Já em Salvador, Isil fica feliz da vida e pode entrar no mar ate no inverno e a temperatura raramente fica abaixo dos 20. Um beijo, Salvador!

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  Quesito 2: deixa eu ver o céu, faz favor.

Em Frankfurt, como eu canso de falar, o problema não e’ o frio: ‘e a falta de sol. Gente, quando está bombando de não ter nuvem, tem OITENTA POR CENTO de tempo nublado! Faça-me o favor!

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BH ‘e vagamente melhor nesse quesito; pelo menos no inverno a gente pode ter um solzinho.

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Agora comparemos com o paraiso na terra, também chamado Salvador da Bahia.  Olha o tamanho da diferença:

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O tanto que chove não altera muito a minha felicidade então não ‘e um quesito – mas olha como ‘e bacana como BH tem muito mais temporal do que Salvador. Em BH 54% de toda a precipitação e’ temporal; em Salvador, so 4%.

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De qualquer maneira cabe dizer que aqui ainda não esta’ nevando e que eu tou muito contente com isso : ) Se quiser continuar assim, sem problemas, que eu nem preciso comprar novas botas! Sera’ que se passar de janeiro, nao neva mais?

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O riso dos outros

A discussao do final de semana foi sobre esse video aqui:

(a introducao longa e muito legal do Alex Castro esta’ aqui, pra quem tiver interesse)

O video fala sobre como uma piada nao ‘e so’ uma piada, e essa piada pode reafirmar ou desafiar os preconceitos existentes. E que, como fazer piada quebrando os paradigmas ‘e muito mais dificil do que fazer piada de loira burra, os humoristas que conseguem fazer isso sao melhores.

Temos dois pontos ai. O primeiro ‘e que piada nao ‘e so’ uma piada.

Tudo que a gente fala passa uma mensagem; como a gente fala passa uma mensagem. Voce pode querer ignorar isso, mas talvez nao funcione muito bem na vida pratica. Porque se voce fizer uma piada de estupro pra alguem que ja’ foi estuprado, essa pessoa nao vai achar so’ engracado. Voce esta’ sim passando a mensagem de que o estuprador merecia um abraco, por mais que diga isso brincando. Com toda piada de loira burra, e de gay viadinho, e de mulher ciumenta e louca, voce esta’ contribuindo pra cimentar mais um pouco essas ligacoes.

Amigo argumentou comigo que um Rafinha Bastos nao ‘e formador de opiniao DELE, que ele tem senso critico, que ele se informa, e que ele ignora as merdas que o cara fala pra so’ ouvir o que ‘e engracado. Seria lindo se todo mundo fosse assim. Porque eu tive o desprazer de ir ao Comedians com a galera do trabalho, todo mundo formado, informado, viajado, e ouvir a piada do estupro ao vivo. E metade da mesa riu.

O segundo ponto ‘e que fazer piada construtiva ‘e mais dificil.

Isso eu nao posso opinar, porque nao sei fazer piada nenhuma, nem construtiva, nem destrutiva. Mas como diz a Lola, piada de negro e de estupro ate’ meu tataravo ja’ contava, entao nao ‘e assim uma coisa moderna. Considerando quanta (muita) gente faz piada reforcando os preconceitos e quanta (pouca) gente faz piada desafiando os preconceitos, eu imagino que seja mais dificil esse segundo ai.

E isso torna o humorista melhor?

A minha humilde opiniao ‘e que, qualquer coisa que eu possa fazer pra diminuir os preconceitos, mesmo que seja pequena, eu quero fazer. Se eu tiver que fazer o grande sacrificio de deixar de contar piada preconceituosa, acho que ‘e uma perda muito pequena na minha vida :).

A minha liberdade de expressao ser assegurada nao me impede de ser babaca. Se eu quiser falar tudo que passa pela minha cabeca, eu vou ofender as pessoas. E’ isso que eu quero? Ou eu prefiro patrulhar as merdas que eu falo, pra falar menos merda?

Se alguem fala que determinado termo ‘e ofensivo pra ele, por que eu vou discutir? Conheco gente branca por ai dizendo que adora macaco e portanto falar que um negro ‘e macaco nao ‘e ofensivo pra ele. Legal que voce tem esse dom da onisciencia, de saber o que ‘e ou nao ofensivo pros outros! E’ tao dificil assim ouvir as pessoas e aceitar que elas entendem mais da dor delas mesmas?

(Eu acho que ‘e dificil sim ouvir as pessoas. Especialmente as pessoas com as quais eu nao tenho contato; mas tambem as que estao do lado e que eu preciso de uma sacudida pra notar. Mas a gente vai caminhando, e se informando, e discutindo, e aprendendo.)

No video alguem fala que o mundo ja’ tem as mazelas dele, e que os humoristas estao apenas relatando essas mazelas. ‘E um ponto de vista… mas se eu puder fazer parte das pessoas que estao tentando mudar essas mazelas, ao invez de aceita-las e pronto, eu prefiro :)

CSD Berlin

Aproveitei a passagem por Berlim pra ir na CSD, que e’ a Christofer Street Day Parade – tipo a parada gay daqui. Antes de ir perguntei pro pessoal como era, pra nao me assustar: fiquei com medo de ser informacao demais pra mim. Mas foi beeeem tranquilo.

Primeiro que organizacao alema, ja’ viu. Tudo limpo, organizado, o transito ia sendo parado conforme a parada ia passando. Muita gente com camiseta de organizacao e radinho. Segundo que essa parada da’ muita gente nova, velha, muita familia, muita crianca. Nao ‘e clima de micareta, ‘e clima tranquilo mesmo.

Teve muitos cartazes e faixas e ate’ alguns carros falando de Putin e da Russia, por conta das leis sem nocao que eles andam promulgando por la. Eu nao sabia e tou impressionada; nao esperava esse grau de intolerancia. Nessas horas me da’ orgulho do Brasil; a gente tem muito o que melhorar mas sempre pode piorar, ne?

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Putin…

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…e faixas em russo?

Tambem tinha muita mulher e muitos cartazes feministas ou falando de preconceito de genero. Esse cartaz com os coracoezinhos coloridos foi o meu preferido. Tambem invejei essa estrutura pra nao ficar segurando o cartaz com os bracos abertos o tempo todo :D

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Cartaz preferido :)

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Feminismo ‘e sexy

E geeeeeeeente, quanto homem gato tinha nessa parada? Tinha muita mulher bonita tambem, mas muito mais homem e mais ainda homem gato. Parada gay ‘e mesmo apologia – acho que vendo essa beleza toda ate’ quem nao curte homem pensa duas vezes :D Eu nao tirei foto porque fiquei sem graca, mas achei um exemplo – o que eu queria era fotografar a camiseta, mas o cara e’ gato :) Tou falando ‘e disso aqui, hehe.

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Homo sapiens

A maioria das pessoas estava vestido normal, de bermuda e camiseta, mas teve tambem muitas drags (umas lindas) e uns mocos de roupa de couro. Tinha um com um macacao de couro e a bunda de fora – que vontade de dar um tapinha! Me disseram que ano passado tinha gente de coleira e de quatro no chao, mas nao vi nada assim tao extremo. Ah!, vi sim! Tinha um moco totalmente sem roupa, com uma meia cobrindo as partes pudendas. Falando em drag, no carro que a gente escolheu seguir (o que tinha o melhor dj, claro) tinha uma moca tao linda e tao composta que eu fiquei impressionada. Uma drag super lady. Foi bom pra quebrar meu proprio estereotipo de drag esfuziante (e barraqueira!).

A parada terminou no portao de Brandemburgo e ai tinha um montao de barraquinha de comida (langossss!) e bebida, e tambem um palco com varios shows. O pessoal ficou por ali mesmo, indo de la’ pra ca, mordiscando uma coisa gostosa, dancando na rua. Nao lembro as bandas, acho que todas alemas (ve-se que ai eu so’ estava preocupada com comer wurst). Nessa foto, a coisa redonda enorme em cima do palco ‘e a lua; a parada foi justamente naquele dia que a lua estive mais proxima da terra e coisa e tal.

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Festinha

O mais legal eu deixei pro final: eu nao queria so’ espiar a parada. Desde a parada do Rio contra o Feliciano, na qual eu so’ fui de plateia, eu queria marchar junto. Aproveitei a onda de protestos e a cartolina que eu tinha comprado pra manifestacao aqui em Frankfurt mas que nao usei, e a ideia da Deborah, pra me manifestar:

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Nao me representa!

Um montao de gente tirou foto, vinha falar conosco, dizer que concordava. Muito brasileiro em Berlim : ) Algumas pessoas (cinco, pelas minhas contas) vieram perguntar o que o cartaz queria dizer e ai explicamos (em ingles, que meu alemao nao da’ pra isso) que o Feliciano ‘e presidente da comissao de direitos humanos, que ‘e um biltre, mas que o Brasil ‘e um pais democratico, nos’ e’ que colocamos ele la’, entao ele que tem que renunciar, por isso o ‘fora’. Na verdade no comeco eu so’ tava falando que o Feliciano ‘e um biltre mas levei uma bronca e comecei a explicar direito, porque nao quero que os gringos pensem que a gente nao vive numa democracia. E’ democratico e ta’ so’ melhorando, ta’, Sr. Gringo?

No final das contas, curti bastante minha primeira parada gay. Parece que no Brasil a coisa ‘e mais punk, mais micareta, pegacao… mas aqui, ‘e bem tranquilo, como tudo na Alemanha. Procuro companhia pra ir na parada de Frankfurt!

Sobre o Feliciano e a Daniela

Ultima vez que eu estive em Berlim teve protesto contra o Feliciano e eu enrolei (por boas razoes) e nao fui, mas fiquei com a consciencia pesada (sem contar que ir em protesto em Berlim ‘e o maximo do internacional, ne’). Dai quando soube que ia ter um no Rio, me animei toda pra ir e fui. O homem ‘e racista, homobico, machista, e ainda nao gosta dos Bitous! Como pode, minha gente!?

Quanta gente, quanta alegria! Na verdade alegria tinha muita, mas gentes mesmo tinha poucas. Mas quem tava la’ estava animado. Muita gente com cartazes, com camisetas, com adesivos. Muitos casais. Vi uma adolescente (nao devia ter dezessete anos) marchando, com a mae do lado. Vi gente de varios movimentos. E fiquei tao esperancosa.

As coisas no Brasil estao mudando. Ta’ bom? Ta’ nao. Mas ta’ melhorando? Eu acho que esta’. Um pouco de cada vez, uma conquistazinha por vez. Mas indo pra frente, mais do que voltando pra tras.

E ai’ fiquei sabendo e depois saiu na Veja que a Daniela Mercury casou com uma moca. Dei uma olhada na Veja e a edicao comeca com uma ‘carta ao leitor’ que me deu nojinho. Pois vejamos: ‘Pessoas sem nenhum sentimento de rejeicao aos homossexuais sao contra o reconhecimento legal da uniao marital entre individuos do mesmo sexo.’ Ah, jura? Tenho certeza que sim, mas sao a maioria? E por que essas pessoas que nao rejeitam os gays sao contra o casamento gay? Ah, o autor explica: ‘Boa parte se irrita mesmo ‘e com a agressividade de militantes dos movimentos gays e sua furia implacavel dirigida a quem quer que use divergir minimamente deles.’ Ah claro; gays apanham e morrem diariamente por causa dos militantes furiosos. As pessoas que nao tem naaaada contra os gays se irritam com os militantes furiosos e ai sao contra o casamento dos militantes furiosos. Mimimi detected? A defesa de um lado so’ continua: ‘Mas ‘e fato que muita gente intelectualmente honesta (…) nao ve com naturalidade a uniao homossexual ao amparo da lei.’ E depois diz que a Veja ‘contribui para o debate racional do tema’. Aff.

Minha frase preferida sobre essa discussao toda ‘e a seguinte: se voce ‘e contra o casamento gay, tudo bem, nao se case com um gay. Simplao, ne?

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Diretamente do Facebook

(outra coisa que me irritou foi uma legenda de imagem sobre o voto feminino ‘E’ inacreditavel, no mundo ocidental, imaginar que um dia esse direito tenha sido negado’. Ah, que bonito, hein Veja? Que tal agora parar de usar mulheres seminuas no Veja Essa? Se ‘e pra mostrar o que as pessoas falaram, por que invariavelmente tem uma gostosa de biquini cobrindo metade de uma pagina? :( Reclamar de machismo em revista ‘e pano pra muita manga…)

Visita ao Brasil em numeros

10 dias com temperaturas positivas e acima de 15 graus
824 pessoas queridas encontradas
02 churrascos
04 consultas medicas e exames
00 broncas da dentista (nunca antes na historia desse pais…)
04 cochilos depois do almoco
12 empadas, coxinhas e pasteis
04 ovos de pascoa
05 almocos especiais feitos so’ pra mim, sem bolinha
9834 beijos babados de bebe
01 bebe batizado
01 entrega de sorveteira gigante
01 litro de sorvete de doce de leite
23 sucos de laranja, abacaxi, morango e limao, sem gelo
03 conversas dramaticas (mas todo mundo feliz no final, acho)
345 quilos tirados das costas
00 baladas (‘precisa ver isso ai’ como diz a Mari)
12 sapatos, vestidos e saias novos
04 martinis bem feitos
01 japones fail (nem foi rodizio)
03 dias de praia
01 padaria francesa carissima e chiquerrima
01 marcha contra o Feliciano
01 show do Michael Jackson
01 show de jazz
01 corte de cabelo muito necessario
02 flats no Rio (importante ‘e conhecer gente importante)
01 almoco com o pessoal do ex-trabalho
00 declaracoes de imposto de renda feitas (mas era ferias, ne)
01 tarde em Amsterda, ao sol que arde em Amsterda
06 tacas transportadas com sucesso dentro da mala ate’ Frankfurt

Ufa! Teve bao!