Caminho das Indias, parte V

Opa! Antes tarde que mais tarde, segue a aventura indiana.

Nos dias que eu ia ficar sozinha, escolhi ir pra Goa, que é uma das partes mais ocidentalizadas, cheias de turista europeu e seguras da Índia. E eu também curto uma praia, então bora lá.

A praia, praia mesmo, eu achei bem marromenos.

 

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Essa parte era bem perto do hotel, e não tinha ninguém. De acordo com os taxistas que eu peguei, era baixissima temporada, todo mundo tinha acabado de ir embora. Nessa época, o que tem é só turismo interno mesmo. E aí, quando você acha a galera, é galera mesmo!

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Pode ser que eu tenha ido na praia errada, ou que os milhões de turistas europeus gostem mesmo é do clima e do calor. Mas, de modo geral, achei o lugar bem pouco turístico – aliás, todos os lugares por que passei. Gente, cadê as barraquinhas de souvenir? Até Goa eu não comprei nem UM ímã pra coleção, simplesmente por não encontrar em lugar nenhum! Aí quando vi essa barraquinha, entendi o drama. E a barraca fechada, claro:

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Muitos lugares com placas de ‘fechamos por esse ano, volte ano que vem’. Talvez a culpa não seja de Goa, seja mesmo da época que eu escolhi visitar.

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Eu não pude entrar na água porque 1. estava sozinha, e 2. estava de biquini. Eu até já tinha comprado um sari, mas sem chance de entrar na água com meu lindo sari novo :D Eu sabia que os indianos entram na água de roupa e tudo, mas ainda assim foi meio chocante assistir. Olha aí essa moça num lindo sari rosa e completamente ensopada.

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Uma das coisas que eu acho mais importantes e bacanas de viajar ou morar em outros lugares é entender que não existe só uma forma de fazer as coisas; e como não existe só uma, também não existe a certa. Comer com garfo e faca, ou com as mãos? Nadar de biquíni, ou de traje completo? Pagar bebida pras meninas, ou cada um paga o seu? Pode ficar na balada, ou não pode? Talvez a Índia tenha sido o lugar que eu visitei que é mais obviamente diferente do Brasil, as diferenças são gritantes. Mas acho que é justamente isso que me atrai :D

Se a praia não me encantou, vamos ali visitar a cidade porguesa?

Muito lindinho o bairro português! Eu me senti numa Ouro Preto meets Salvador. Quantas flores, quantas casas coloridas! E quantas coisas com nome em português :D

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Também muitas igrejas e catedrais. Essa dos sinos, gente, que vontade que deu de soar os sinos e sair correndo! :D

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Olha só que cara de Ouro Preto… fiquei morrendo de saudade da primaiada :D

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A melhor parte de ir nessas igrejas foi entrar num lugar que eu entendia. Depois de quase uma semana de cultos totalmente desconhecidos e impenetráveis (porque eu pergunto, mas nem sempre a Lakki responde), foi um alívio mental estar num lugar onde eu sabia o que acontece, entendia as partes, e até conhecia vários dos santos e santas nos quadros e esculturas. Até achei a pia de água benta pra me benzer :D

Okeeey, se as praias não são grande coisa e a parte portuguesa é que nem Ouro Preto, o que bombou em Goa? A comida, aaaah, a comida.

Primeiro de tudo, barraca de coco por todo lado. E os caras sabem quais cocos tem carne dentro e quais só tem água! Como é que essa tecnologia não chegou no Brasil ainda!?

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A comida de Goa é uma mistura de português com indiano, uma delícia. Esse peixe goano foi uma das melhores coisas que eu comi na viagem inteira, sem contar a vista linda pra praia e um cardápio em português. Anotem aí, o restaurante chama Souza Lobo.

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Resumindo a visita: acho que nem vale a pena gastar tempo de Índia em Goa, apesar da comida fantástica. Mas foi bom conhecer :D

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O caso do motorista simpático

Pra reabilitar 47 outros motoristas biltres que adoram fechar a porta devagarinho na nossa cara quando a gente está chegando esbaforido no ponto… postei no facebook mas também queria escrever aqui!

Fui no mercado comprar lindas frutas. Botei tudo na sacola. Quando estava chegando o bonde, a esperta aqui derruba a sacola e tudo se esparrama pelo chão… abaixei pra catar pela calçada meus morangos e cerejas, resignada, olhando pros morangos perdidos embaixo do bonde e pensando que ainda por cima ia ter que esperar o próximo… quando vejo o *motorista* agachado no chão comigo catando cerejas!! Ele nao só parou e atrasou o bonde, como veio catar frutas no chão comigo!! Chegando em casa, foi só lavar :D

Ah!, (de vez em quando) a Alemanha! <3

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Caminho das Índias, parte III

Aviso: apesar da sociedade super conservadora e da galera tomando banho de mar de roupa (oh yeah), os clipes são super sexy e coisa e tal. Eu nem curto muito a música mas esse clipe passava direto e merece ser incluído :)

Terceiro dia de viagem, acordamos e fomos pra Lonavala.

Vou fazer um post só sobre o trânsito da Índia, então aguardem : )

Lonavala é um lugar um cado sem graça, mas em compensação ficamos num resort lindo!

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Foi lá que aprendi a jogar Carrom, um jogo antiquíssimo que (em teoria) deu origem à sinuca. A diferença é que você dá um peteleco nas peças, pra elas se moverem. Não é difícil, mas eu perdi =/

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E foi também em Lonavala que eu tive uma experiência intercultural que nunca esquecerei. Dona Lakshmipriya resolve que quer tomar chá. Dona Lakki está de calça jeans e uma blusa de malha, de manga comprida. A temperatura no mundo exterior é de 40 graus. Dona Lakki resolve tomar um chai QUENTE, com toda essa roupa, na VARANDA, que não tem ar condicionado. E ainda fala pro pessoal do room service trazer o chá bem quente que é assim que ela gosta. Go figure.

Outra coisa muito legal em Lonavala é que tem umas cavernas. Fomos em um lugar que dá pra ver algumas – são tipo celas cortadas na rocha, são budistas e as mais antigas foram feitas entre 200 anos antes e 200 anos depois de Cristo. É muito, muito bacana – pena que estava fechado e não dava pra visitar!

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Massss, em compensação, essa coisa azul aí do lado é um templo. Fomos visitar por dentro (não pode tirar foto) e estava tendo uma celebração. A Lakki não soube me explicar direito – fiquei impressionada com a devoção e com o calor dentro do templo; as pessoas estavam derretendo lá dentro. Pela viagem inteira, uma sensação estranha de estar na igreja de alguém que você não entende, que não sabe nem o que pode ou não fazer lá dentro, e como faz pra não atrapalhar…

No caminho pra ir e voltar do tempo, mil lujinhas com pulseiras infinitas, oferendas pros deuses, traquitanas dos deuses… pena que não tirei foto!

E pra fechar Lonavala, um pequeno milagre: essa cara de contente aí sou eu comendo uma coisa vegetariana. Pode isso, Arnaldo!?

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Pra constar: isso se chama Uthapam, é tipo uma panquequinha crocante e bem fininha, e por cima pode ter cebola, tomate e queijo. Comi em vários outros lugares e aprovei todas as vezes. Hummmm!

***

Okey, okey, uma última foto pra fechar Lonavala… lá tem uma barragem na qual é proibido nadar… apesar de o caminho pra barragem ser pontilhado de barraquinhas vendendo protetor solar, biquini, bóia… logo atrás da placa. :)

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Caminho das Índias, parte II

Aviso: meu feminismo é super a favor de clipes nos quais os gatinhos sensualizam :D

Mumbai teve minha primeira experiência de multidão. Resolvemos ir na praia no domingo à tardinha. Gente do céu – sabe lotado? Sabe MUITO lotado? Lotado do tipo ‘reveillon em Copacapana’ lotado? Então, tipo isso, mas num domingo qualquer à tarde.

Eu não tive coragem de chegar no mar pra ver se era legal, poluído ou não – o mundaréu de gente me tirou a boa vontade. Olha isso, minha gente.

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Importante notar que as pessoas estão DE ROUPA na praia. Em Goa deu pra ver (e tem fotos pra mostrar) que as pessoas nadam de roupa mesmo. Voltaremos a esse tópico.

Pelas fotos, parece que é uma agradável tarde de primavera européia, tipo 15 graus no sol, né? Naaaaaão, gente! Estava de noitinha, então tinha ‘refrescado’ – tipo 38 graus. E úmido. E essa galera de roupa! Isso me deixou muito impressionada na Índia – mesmo durante o dia, mesmo o pessoal que trabalha no sol… todo mundo vestidíssimo. As mulheres E os homens – todos de calça e camisa, muitas vezes manga comprida. No comprendo, mas acho justo.

(e depois fiquei pensando que essa ‘compostura’ das pessoas dá uma impressão muito menor de pobreza que as nossas cidades de interiorrrr nas quais as crianças andam quase peladas, e os adultos usam muita pouca roupa)

Highlights da praia: tomar água de coco : ) Curiosidade – na Índia, ao contrário do Brasil, você pode pedir pro moço um coco como você quiser – ou muita água, ou muita polpa – e eles dão umas balançadas nos cocos e acertam sempre. Eu sempre pensei que não era possível que você trabalhasse com coco todo santo dia e não tivesse como saber pela experiência o que um coco tem dentro… bom, na Índia, eles sabem.

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Na beira da praia tem um monte de barraquinhas de comidas, bebidas, sorvetes… que tristeza a minha de não poder comer e beber nada (pro coco eu fiz uma exceção, lógico)! Mas examinando bem, a vontade até passa um pouco. Pois então, vejamos – dá pra ver essa banquinha de raspadinha e sorvete atrás de mim, na primeira foto? Na segunda foto dá pra ver os sucos em garrafas pet sem rótulo :D É coisa de interiorrrr ou não é? : )

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Pra fechar Mumbai, mais dois tópicos…

No hotel, estava começando uma feira de casamento. As pessoas visitam a feira, olham os serviços, e contratam. Porque acordamos cedo, chegamos no comecinho da feira e fomos suuuuper bem tratadas :D Tinha um milhão de flores (tudo que está nas fotos é flor ‘de verdade’) e tudo é tão lindo!

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Quando você se casa, tem esse banquinho onde os noivos ficam, e as empresas de casamento fazem esses banquinhos com todo tipo de decoração atrás… cada um mais lindo que o outro. Disse a moça que era muito auspicioso tirar fotos no banquinho pra arranjar casamento! :D

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Tinha umas moças fazendo mehendi (que é como eles chamam henna na Índia, ninguém chama de henna =/) e elas toparam fazer uma ‘amostra’ na gente. Cara, não dá pra explicar como é ter henna feita por uma profissional – a rapidez da moça, a precisão do desenho, a harmonia, a graça do desenho. Eu achava que as noivas ficam dois dias e meio pra serem pintadas inteiras de henna – que nada, elas são super rápidas, e trabalham em equipe. Parece que dá pra ‘fazer’ uma noiva em 4 horas : )

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A mehendi da Lakki sendo feita:

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A minha, com a henna secando e depois dela cair:

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Tem coisa mais bonita?

(só pra constar – no final da viagem fiz de novo com uns moços na feira, em Jaipur… me mostraram uma pasta com os vários estilos, eu escolhi, e odiei – o moço ignorou tanto o que eu falei quanto o motivo que eu escolhi, e fez um serviço porco, que eu tirei logo depois. ou seja, não é fácil fazer isso não, é que eu realmente peguei uma artista)

Também passamos por um moço que fazia pulseiras e acompanhamos todo o processo, totalmente manual. Legal demais e sai de lá com uma pulseira :)

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Pra fechar Mumbai, um pouco de comida boa da Índia…

Fomos numa pizzaria no Marine Drive (que é bacaninha mas nada demais). Gente, o que foi isso?

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Primeiro, o milkshake / lassi de manga. Cabe dizer que a fruta nacional da Índia é a manga, que estávamos em época de manga, e eles tem uma tal de manga Alphonso que é o rei das mangas. Cara, nunca me esquecerei da manga Alphonso. Esse negócio aí é um lassi com uma bola de sorvete de creme flutuando em cima. Minha cara de alegria define.

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E pra comer, uma pizza Chicken Tikka Masala. Lembrando que eu nem sou fã de pizza! Foi uma das melhores pizzas que eu já comi e eu fiquei o resto da viagem todo querendo repetir o pedido. Sim, comida indiana também é quentinha, crocante e gostosa!

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Caminho das Índias, parte I

Então!, fui na Índia e voltei e estamos aí pra contar a história – em várias partes, é claro. Aperta o play e vambora!

Eu sempre quis ir à Índia, mas fiquei mesmo apaixonada pelo país quando dividi a casa com a Lakki, nos EUA. Mais que aprender sobre os EUA, eu aprendi sobre a Índia, porque a Lakki é a mais prestativa e paciente quando a gente tem um milhão de perguntas, e ela e a Divya me adotaram e me levavam pra cima e pra baixo. Fiquei devendo uma visita, e quando as constelações entraram em acordo, fui.

Antes disso, perguntei pros meus amigos não-indianos que já tinham ido à India o que eles tinham achado. E fiquei até desanimada de ir. Sem exceção, eles falaram da pobreza, sujeira, barulho, bagunça, pedintes, feiúra… eu quase não quis ir mais! Mas criei coragem, comprei uns antissépticos porretas, e fui-me embora.

Minha conclusão final eu vou repetir no final, mas o resumo é o seguinte: a Índia não é pra corações fracos. Tem sim muita feiúra. Mas pra quem conhece o Brasil, não é grande surpresa não. As vilas e subúrbios não são mais pobres do que vilarejo no norte de Minas. As estradas não são piores do que sul de Minas. O trânsito, esse sim, é especial: é tipo 14 vezes mais sem noção do que o de Salvador. Gente pedindo esmola tem em qualquer cidade grande brasileira. E as coisas bonitas… são de ficar besta. Vamos ver se vocês vão concordar :)

Cheguei em Mumbai (antiga Bombaim) e a Lakki me buscou no aeroporto. Primeira surpresa: as pessoas em geral não podem entrar no aeroporto. Só entra quem tem passagem impressa (dica: imprima os comprovantes de todas as suas passagens, senão é um parto entrar nos aeroportos pros vôos locais e de volta). Quem não é viajante tem que pagar uma taxa e tem um processo. Então, mais provável que quem estiver te esperando esteja fora do aeroporto (e o aeroporto, absolutamente vazio).

A Lakki alugou um carro com motorista pra parte da viagem na qual ela me acompanhou. Tentei extrair dela o preço, mas tudo o que ela disse foi que na Índia dá pra fazer isso (alugar uma PESSOA por quatro dias), ao contrário dos EUA. Andamos pra cima e pra baixo com o motorista, com ar-condicionado : )

Logo no primeiro dia, ela já me levou pra tomar um café da manhã típico num fast food. Gente, é preciso muita coragem. Pois senão, vejamos:

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Esse ‘fast food’ (não chamarei de espelunca) serve comida desde café da manhã até almoço e jantar. Não lembro o nome dos ‘pãezinhos’ (o branco acho que é idli); o molho vermelho é sambhar (gente, tem um bar em BH com esse nome?!) e o branco é chutney de coco. É comum servir o sambhar (que é muito apimentado, e literalmente quente) com um chutney de coco ou manga ou alguma outra fruta, pra ‘quebrar’ um pouco. É de comer com a mão, mas a Lakki é uma fofa e pediu talheres pra mim.

Particularmente eu não gosto de coisas ensopadas (por isso eu não sou muito fã de comida mineira), então não amei esse café da manhã não. Mas outros melhores virão e eu fiquei emocionada de sobreviver à experiência!

Passeamos por Mumbai por um dia e meio; não achei as atrações fenomenais não. O Portão da Índia, o Marine Drive, a praia… fenomenal foi passear pela cidade e ir me acostumando aos poucos com a quantidade de coisas tão diferentes que têm por lá. Mas pra não falar que não falei, seguem uns pontos turísticos.

O Gateway of India é um monumento que foi construído pra ser a primeira coisa a ser avistada ao se chegar na Índia, e foi criado pra comemorar a chegada de uns reis da Inglaterra em 1911. O que é legal é que as últimas tropas britânicas que saíram do país, quando da independência em 1948, também saíram por lá : )

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Do lado, fica o hotel Taj. Pausa pra falar do Seu Tatá.

Seu Tatá foi um moço que criou o Grupo Tata. Hoje esse grupo é uma multinacional gigantesca que tem empresas nas áreas de tecnologia, engenharia, materiais, serviços, energia, produtos e químicos. Ou seja, tudo. São 114 empresas e você vê de TUDO Tata – de carro a consultoria a hotel a farinha a software a aço. É tipo assustador. TUDO tem ‘a Tata product’ escrito. A empresa é muito querida dos indianos, porque ‘diz que’ eles tratam muito bem os empregados e são super éticos. E o comando da empresa passa de geração em geração.

O hotel foi aberto em 1903. Conta a lenda que, antes disso, o seu Tatá foi impedido de entrar no hotel mais chique da cidade, por não ser branco. Aí ele disse, ah, é? E construiu o Taj Hotel (que depois virou a rede de hotéis mais luxuosa da Índia). Bobões!

O hotel é realmente lindo. Quando chegar na foto da recepção, favor lembrar que lá fora está um calor de literais 40 graus. É beleza infinita um hotel com ar condicionado no talo e uma cachoeira escorrendo pelo vidro. :) Já ficou nesse hotel uma galera famosa, dos Bitous ao Obama. Fomos no restaurante fino e tomamos um suco milionário pra brincar de ser chique ;D Ah!, e do restaurante dá pra ver o Gateway of India!

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** voltamos em breve com mais Mumbai! **

Kartoffel -eck

Na Konstablewache, durante os finais de semana, tem sempre umas barraquinhas vendendo coisas de feira e comidinhas. Uma delas é minha preferidinha e se chama Kartoffel-eck. Ecke significa esquina, e essas batatas assadas cortadas com ângulos de 90 graus se chamam assim (como ‘potato edges’). E essa barraquinha também fica na esquina, então tudo combina.

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Hmmmm!

Como se haveria de esperar pra uma barraquinha preferida, tem batata de tudo quanto é tipo. Kartoffel-streifen é batata frita normal, com várias opções de molhos. Kartoffel-ecken são batatas assadas. Reibekuchen é tipo batata rosti mas sem cebola, pingando de óleo – eles comem com purê de maçã ou com creme de alho. É essa da foto aí embaixo. Folienkartoffel é batata assada no papel alumínio. Salzkartoffel é batata assada também, mas inteira. Esse ‘tornado’ é uma batata inteira frita. E por fim, como não podia faltar, sopa de batata.

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Reibekuchen

Estava eu esperando minhas batatas e pensando que deve ser uma droga trabalhar nesse lugar, porque depois de ver batata todo dia, o dia inteiro, tudo que você NÃO deve querer comer é batata, né? Exatamente nessa hora, um dos moços que trabalham na barraquinha sai pra folga dele, e antes… enche um pacote de batata frita e vai comer com catchup. Vai entender : )

(ou – eu estava errada e posso sim trabalhar na barraquinha de batatas!!!)

Quando eu morava em SP, conheci um cara na balada e nem lembro por que terminei a noite na casa dele – nem rolou nada, que eu sou muito certinha – e o que me deixou muito impressionada (pra bem ou pra mal, nao pude definir) foram os hábitos pós-balada do cara.

Ele tinha pilhas e pilhas de comida de bebê. E ele não tinha um bebê. Ele chegava de madrugada em casa e esquentava um potinho de comida de bebê no microondas. Comidinha saudável, gostosa, e em porções pequeninas. Genial.

***

Por que raios me lembrei disso?

Por que na volta das férias, percebi que não tinha absolutamente comida nenhuma em casa e comprei umas coisas. E hoje, voltando de uma balada irresponsavel quatro da manha de uma quarta-feira… eu tenho batata de pozinho incrementada com bastante azeite e queijo. Genius.

Cookie time!

(favor colocar a Ella pra cantar antes de começar a ler o post)

Então, Natal chegando e fazer cookies é praticamente uma obrigação. Ano passado eu acabei não fazendo porque não tinha forno em casa – mas esse ano não tinha desculpa, então mãos à obra.

Primeira fase: comprar os ingredientes.

Olhei os ingredientes que eu não sabia o nome no tradutor, anotei tudo numa listinha, e fui-me pro mercado. Pra quem estiver interessado: fermento é Hefe, e bicarbonato é Backpulver, literalmente pó de assar. Farinha de trigo é Weizenmehl, e de aveia é Hafermehl. Ah!, farinha de aveia em flocos é Haferflocken. Será que o nome da cerveja Hefeweisen vem daí?

Chegando no mercado, mil tipos de farinha, e nada da farinha de aveia. Já me assustei e mandei mensagem pra três pessoas que podiam me ajudar; duas brasileiras e uma alemã que falam as duas línguas. Não me espantei da alemã ser a primeira a responder – é impressionante o vocabulário que ela tem :o ela confirmou que o nome era esse mesmo, Feine Haferflocken. Tive que recorrer à ajudante de papai noel (juro, tinha um papai noel no mercado) e daí ela me mostrou que tinha sim, mas não perto das farinhas. Aveia fica perto de cereal matinal e coisas saudáveis tipo musli e granola. Flocos finos não tinha, já era querer demais, né?

Pra compensar os ingredientes meio capengas, caprichei no chocolate. Em vez de Garoto, esse ano os cookies saem com chocolate Milka :)

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Zuzaten

Segunda fase: fazer a massa.

Não quero dar detalhes porque a receita é secreta, mas ela envolve cortar muito chocolate em pedacinhos bem pequenos, e também misturar um montão de ingredientes na mão caso a gente não tenha batedeira. É bem mais divertido fazer com companhia; se não tem companhia, a gente faz por skype :)

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Em trës etapas

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Maos na massa

Eu tenho a impressão de que alguma coisa vai sair errada, porque eu não lembro da massa ter ficado tão consistente e pesada das últimas vezes! E quando eu digo pesada, eu digo PESADA: tive que juntar mais manteiga pra ela conseguir absorver todo o chocolate. Hmmmm, será que é porque eu coloquei 20% mais chocolate do que devia, porque alguém disse que ‘chocolate demais’ não existe?

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Massa levinha

(se já acabou a Ella, agora temos Eartha Kitt)

Fase três: deixar a massa na geladeira por 24h.

Fase quatro: acordar no domingo doida pra assar cookies!

A parte mais difícil dessa fase é parar de comer a massa crua (que é deliciosa) e enrolar pra assar. A massa ficou tão consistente que dessa vez nem precisou de manteiga! Na verdade nem enrolar precisou; eu mais ou menos cortei a massa no tamanho certo, arredondei os cantos e foi isso.

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Massa levinha, parte II

(eu lembrei de deixar um pedaço quadrado pra ver se o meu esforço em deixar as bolinhas arredondadas estava servindo pra alguma coisa. Mas me esqueci de lembrar em qual fornada ele estava, e agora todos os cookies assados estão iguais, então acho que na próxima vez não vou gastar tempo arredondando não)

A fase de assamento de cookies é a mais sensível; tem que ficar de olho porque assa muito rápido e sempre corre o risco de queimar. Ah!, as formas de assar cookie (juro – são formas específicas de assar cookie) que eu comprei valeram a pena. Não precisei untar e os cookies soltaram da forma super fácil. Não sei se dá pra ver na foto, mas ela é uma placa sem beiradas, fora uma na frente pra segurar. Ou seja, não dá pra assar bolo, só coisas que não escorrem.

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Assando

O forno aqui de casa é um mistério – nada assa como devia. Acabei diminuindo (bastante) a temperatura e colocando no modo que tem ar quente; também deixei um pouco mais tempo, já que a temperatura estava menor. Resultado: não queimei nenhuma fornada!

Cookies prontos e achei que ficaram suficientemente parecidos com os originais, apesar de não terem crescido muito. Ficaram mais doces do que deviam, também (aposto que usei manteiga sem sal =/). Vamos ver o que o pessoal do escritório vai achar :)

(o pote grande é pro escritório; o pequeno é presente ;)

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Fertig!

Eppstein

Aqui perto de Frankfurt tem um montão de castelinhos. A sugestão da vez foi Eppstein e fomos lá num domingo. Pra chegar lá é meia hora de trem, e baratinho: pagamos 2,50 pela extensão do ticket.

O tempo não ajudou – estava frio, chuvoso e cinzento – mas a cidade é bem bonitinha. As duas últimas fotos são com um filtro especial da câmera, pra vez se espanta um pouco o cinza.

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O castelo também é bem bonitinho! Ele é de cerca de 1120. A entrada custa dois ou três euros e dá direito a ir no museu. No museu tem umas peças interessantes, mas o melhor é que lá dentro estava quentinho.

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Em uma hora terminamos de visitar o castelo (incluindo subir na torre!). Tenho que confessar que o frio e o cinza não ajudaram. A única coisa colorida foi essas janelas, que alguém pintou de azul (por quê, eu me pergunto).

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Mas aí, demos uma bruta sorte e encontramos a Primeira Oktoberfest de Eppstein! A gente tinha visto um cartaz na estação, mas não tínhamos encontrado ninguém pra perguntar onde era a festa. Andando pela cidade, tudo vazio… até de que repente vimos gente com roupinha de Oktober, os seguimos… e caímos na festa! Yey!

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A festa era dentro do Corpo de Bombeiros, e a média da faixa etária caiu uns 20 anos quando a gente entrou. Só tinha velhinhas e velhinhos simpáticos e de cabelos brancos, dá pra ver na foto aí embaixo! E dá-lhe música de Oktoberfest.

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A festa era cheia de comes e bebes, e o mais legal era o esquema de comprar e pagar. Já falei que alemão adora uma quermesse? Com o primeiro pedido, você ganhava o papelzinho da foto abaixo. Com cada compra, um risquinho (que às vezes o moço pedia pra você mesmo fazer). E no final, pagava tudo no caixa. Preços convidativos de quermesse: cerveja pequena, 2 euros; cerveja grande, 3; handkase, 2,50; sopa, 2; torta, 2 euros. Hmmm!

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O mais legal foi a convicção do cara que marcou minha primeira cerveja: ele sinceramente achou que eu ia tomar muitas e muitas cervejas então era necessário fazer o risco o mais no cantinho possível.

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É saindo de Frankfurt que você vê como Ffm não representa a Alemanha: estávamos eu e a Irina conversando em inglês (ela é russa) e, de repente, uma das velhinhas vem perguntar de onde somos e como achamos a festa! De cara fiquei sem reação pensando ‘como é que ela sabe que não somos daqui’; depois lembrei que ela deve conhecer toda e qualquer pessoa da cidade, não precisava nem da gente estar conversando em inglês. A moça bateu papo, quis saber o que estávamos achando, se gostamos da comida, se tínhamos experimentado isso e aquilo, ofereceu pra tirar foto… coisa que nunquinha na vida um Frankfurtiano faria! Fiquei me sentindo super acolhida na festa do asilo, opa, da cidade.

Quando cansamos de comer (reibekuchen! reibekuchen!) resolvemos ir embora, porque o trem passava só de meia em meia hora. Quase chegando na estação, quem me aparece? O sol, maldito, que aqui São Pedro tem conluio com Murphy e só aparece pra deixar a gente bravo. Mas tudo bem, que deu pra dar uma corridinha na ponte e tirar uma foto de como deve ser o castelo num bonito dia de verão.

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