Caminho das Índias, parte VII

No terceiro dia acordei zerada, depois de dormir uma noite inteira sem vomitar, e fomos pro nosso houseboat.

Em Kerala, tem uma região que eles chamam de ‘backwaters’, ou a Veneza da Índia. São uns canais lindos, perto de plantações de arroz, e você pode alugar um barco que é como um hotel, e passar uma (ou mais) noites nele. Meio que por acaso, acho que acertei com a companhia mais luxo e sedução dentre todas que fazem esse passeio. Gente, olha o tamanho desse barco!

No ancoradouro, visto de fora:
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A proa mais luxo e sedução da história das embarcações:
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Sala de jantar, onde já fomos recebidos com suco, água e frutas fresquinhas.
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O (nosso) quarto com uma cama enorme, ar-condicionado e mosquiteiro
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O corredor até o final do barco, onde ficam a cozinha e as dependências dos moços
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Resumindo a brincadeira: a gente pagou 11.000 rúpias (mais ou menos 120 euros) pra passar uma noite no barco. Entramos ao meio dia, fomos recebidos com suco, água e frutas. Dali a algumas horas, almoço. Mais sucos e frutas, e depois jantar. No dia seguinte, café da manhã antes de desembarcar. Tudo isso, e mais três moços, incluídos no preço. Surreal!

A comida no barco é super típica – tem até peixe pescado no rio! E muito, muito farta.

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E o barco vai navegando pelo rio… lindo demais!

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Esse passeio é bem turístico e muita gente faz a mesma coisa. Vimos muitos outros barcos, alguns de turistmo, outros de transporte, mas nenhum tão legal quanto o nosso :D

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Enquanto estava só eu na Índia, as pessoas nem ligaram muito pra mim. Especialmente em Mumbai, que tem gente do país todo, as pessoas não só não me prestavam atenção quanto tentavam falar comigo em hindi. Várias vezes. Fiquei me sentindo uma local :D

Mas quando a Heather chegou, tudo mudou. As pessoas OLHAVAM pra ela, do tipo paravam na rua pra olhar pra ela. Pessoas pedindo pra tirar foto, pedindo o telefone. E, por eu estar com ela, as pessoas começaram a me olhar diferente também.

Nesse rio, foi muito divertido. A parte ruim é que gente passava por barcos e a galera tirava foto da gente (era tanto luxo e sedução que deviam achar que somos atrizes famosas). Mas a parte legal é que, pra quem quer que a gente acenasse, as pessoas respondiam animadamente. As crianças, então! Ficavam olhando pra gente, fixamente, esperando alguma coisa acontecer… era só eu ameaçar levantar meu braço pra dar um tchauzinho, que as crianças já estavam abanando furiosamente!! Pena que só tem uma foto da alegria deles, e mesmo assim de um pessoal mais velho. Fiquei me sentindo especial : )

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Vimos muitas coisas interessantes durante o passeio de barco – as plantações de arroz, que são inundadas periodicamente… as pessoas vivendo sem luz nem água, como se estivessem muito distantes da civilização… e isso aí. Dá pra adivinhar o que é antes de ver a foto seguinte?

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É uma fazenda de PATOS! Ficamos super intrigadas, até eles passarem pertinho. E no final passaram dois barquinhos coordenando os patos, e os moços do nosso barco nos explicaram.

Também vimos como o rio é tudo pras pessoas que moram nessa região. Vimos gente lavando a louça, tomando banho, lavando roupa, fazendo o rio de banheiro, pegando água pra beber… tudo no mesmo rio, bem indiano.

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Foi uma das experiências mais legais da viagem, e eu recomendaria pra todo mundo que for à Índia. Por pagar super barato pra ter uma experiência super luxosa, por visitar as backwaters que são lindas, pra provar a comida de Kerala, pra ter esse sentimento de como é a vida no meio do nada… ah, a companhia é a Spice Coast cruises.

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Caminho das Índias, parte VI

Saindo de Goa, voei pra Trivandrum, pra encontrar a Heather. Yey!

Trivandrum mesmo não tem muita coisa. Passeamos um pouco, vimos uns templos bonitos, mas nada demais. A felicidade era por finalmente encontrar a Heather, depois de dois anos e algumas tentativas frustradas!

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Daí, pegamos um taxi e fomos pra Varkala. O tempo estava ruim, mas o lugar é lindo!

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Parece que as monções chegaram mais cedo esse ano… porque as tempestades tropicais que pegamos em Varkala foram deliciosas! Nadar no mar embaixo de tempestade, há quanto tempo eu não fazia isso? E a Heather nunca tinha feito. Às vezes eu tenho uma pena das pessoas que não sabem o que é tempestade tropical – não sabem o que é preferir largar o guarda-chuva e correr porque a água vem de tantos lados que não adianta nada ter um guarda-chuva.

O povoado perto de onde estávamos também estava com as lojas e restaurantes fechados e com pouquíssima gente, mas ainda assim deu pra passear um pouco…

Até eu começar a passar mal e Varkala acabar pra mim.

No final das contas, descobri que não foram os cocos, as comidas de rua, as frutas, os sorvetes, os pratos super apimentados… foi uma porcaria de sopa de galinha com tomate, sem tempero nenhum, com uma galinha passada, que me tombou. The giant had fallen. Que besta, eu, de não lembrar que justamente os temperos é que conservam a comida =/

É por isso que eu quase não tenho fotos de Varkala, porque voltei pro quarto e passei quase dois dias de cama.

Gente, o que foi isso? Eu me orgulho de ter estômago de avestruz, de comer de tudo, de não me abalar com podrões pós-balada, comida de rua, comida que caiu no chão desde que a gente cate rápido. E sigo aquela máxima da Lud que prazo de validade é só uma sugestão. Eu nunca tinha passado mal de verdade.

Foram dois dias de eu achar que ia morrer. Sem brincadeira. Tudo doía como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão, de tanta força que meu corpo fazia pra botar pra fora o que já não estava lá dentro. Eu segui todas as dicas do Dr. Felipe (de uma outra viagem, com outra pessoa adoentada) e mesmo assim nem água parava no estômago. Achei uns cream crackers no fundo da bolsa e mesmo assim, nada.

O pessoal do hotel foi ótimo, e perguntavam sempre se eu tinha melhorado, e me deram um chá de limão com gemgibre delicioso, que segundo eles ajuda. E a Heather também foi ótima, me trazendo água e bananas e chá mas sem dar muita atenção pro meu sofrimento.

Acabou que foi jóia que Varkala não tinha lá muita coisa… e foi bom também que eu estava lendo Little Women e muito longe da Índia. Mas olha, agora entendo e respeito mais as pessoas que passam mal em viagem =/

(atenção para o pacote de cream cracker em cima da mesa)

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Uma coisa que vimos bastante… o uso do Papai Noel em contextos totalmente nada a ver. Os indianos não celebram o Natal e nem sabem quem é o bom velhinho. Bem engraçado encontrá-lo em nomes de lojas, propagandas de venda de carro, lanchonetes… e num hotel de praia.

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A maior cidadezinha do mundo

Pausa pra comentar de mais um causo fantástico dessa pequena grande cidade, Belorizontem.

Pra todo lugar que eu vou, eu encontro conhecidos. Não sei se é porque eu conheço muita gente, porque o mundo é um lugar pequeno, ou porque Belo Horizonte é o maior ovo do mundo.

Na época que eu morava nos Eua, pegava uma conexão em Miami pra voltar pra casa. Eu ficava lá umas 4 horas, por causa do horário dos vôos. Não aconteceu nenhuma vez de eu não encontrar conhecidos.

Outro dia fui numa balada em Berlim e, final de noite, todo mundo bêbado, puxei conversa com uma menina. Falei que era do Brasil, ela perguntou ‘da onde’, eu falei ‘Belo Horizonte’, e ela disse tinha acabado de conhecer (e pegar) um cara de lá. Eu duvidei, ela mostrou o whatsapp, e era um calouro meu. Até mandei mensagem em português pro cara.

Outro dia, festinha do CS, o John tinha um couchsurfer brasileiro em casa. Encontrei o Pedro e dissemos pras pessoas em volta que não demoraria mais de 5 minutos pra encontrarmos uma pessoa que ambos conhecessem. Devíamos ter marcado o tempo, porque rapidíssimo descobrimos que o Pedro tinha estudado física com a Flavinha, na UFMG. Foto pra prima :D

Ontem a Mel, alemã que que eu conheci outro dia, postou no facebook que estava vendo jogo comigo. Um moço, Wallyson, comentou ‘que coisa, ela é da mesma cidade que eu!’. Fui ver, e batata: é o marido da Nanda, irmã da Aninha, das épocas do GJ.

Mundo pequeno!!!