Caminho das Índias, parte IV

Dessa eu só entendo o ‘sorry, sorry’ :D

Saindo de Lonavala, fomos pra Pune, onde a Lakki mora. Fomos no Shaniwarwada, um palácio-forte construído em 1746. É lindo, e tem um jardim lindo, onde as pessoas vão pra ficar namorando. Lembrete, de novo: apesar de todo mundo estar de calça comprida e camisa de manga, estava tipo 38 graus.

IMG_4853

IMG_4854

IMG_4859

Em torno do jardim todo tem uma fortificação, que teríamos percorrido todo se não estivesse tão quente!

IMG_4866

IMG_4862

De noite, tivemos um encontro de meninas com a Divya, que também morou em Morgantown conosco e eu não sabia que estava morando em Pune :D Encontrando na Índia depois de quatro anos sem se ver… muito bom!

IMG_4881

Pausa pra falar de Pune: onde elas moram não é Pune mesmo, mas um condomínio fechado com outro nome. É lá que fica a sede da Acn. É muito bacana morar lá, e é muito diferente de Pune mesmo – é limpo, seguro, tem muito menos trânsito… e tem de tudo dentro; de empresas pra você trabalhar até shopping e mercado e cinema. Aliás, o maior Multiplex da Índia fica nesse shopping ai :D (e se é o maior da Índia, é o maior do mundo? hehe). Dentro desse condomínio me pareceu bem legal morar, fora o calor absurdo que não dá pra evitar :D

Peguei meu primeiro tuk-tuk e fomos no cinema. Aeeeh!

IMG_4886

Cinema na Índia: tem que ir! As meninas me ‘obrigaram’, mesmo eu não entendendo nada, tinha que ver as músicas e as danças. Vimos 2 States, que é um romance no qual mocinho e mocinha se apaixonam, mas as famílias são contra porque são de estados diferentes. Elas foram traduzindo uns pedaços e no final das contas o roteiro não é assim taaaão complexo, mas ainda quero ver com legendas no futuro próximo.

Ah!, o filme tem quase 3 horas e pára no meio, por 15 minutos, pra gente comprar pipoca. Hmmmm!

IMG_4894

Também aproveitamos pra tentar botar o papo em dia… hoje em dia a Divs já está casada e é mãe! =O

A sociedade indiana é muito machista, mas tanto, e as meninas nem percebem. Eu entendo, porque eu passei muito tempo sendo assim até cair a ficha =/ Por exemplo, eu perguntei pra Lakki por que, na rua, algumas mulheres andavam de sari, super tradicional, e outras de jeans, bem modernas. Eu achei que a resposta ia ser sobre algumas famílias serem mais tradicionais, ou que o pessoal com mais dinheiro é mais moderno/ mais tradicional… daí ela respondeu, ah, é que é uma sociedade livre, cada um pode usar o que quiser. Eu ri, perguntei de novo, ela respondeu – ah, é que alguns maridos fazem questão que a mulher use roupa tradicional, outros deixam elas usarem jeans. Sociedade livre, a-hã.

Apesar de que tudo que a gente fez foi ir ao cinema, comer pipoca, sanduíche, sorvete (sempre!) e bater papo, foi uma das noites mais legais da viagem. Impressionante como você pode passar ANOS sem ver pessoas e o sentimento, o tanto que você gosta delas, não muda nadinha ;D

IMG_4899

Caminho das Índias, parte III

Aviso: apesar da sociedade super conservadora e da galera tomando banho de mar de roupa (oh yeah), os clipes são super sexy e coisa e tal. Eu nem curto muito a música mas esse clipe passava direto e merece ser incluído :)

Terceiro dia de viagem, acordamos e fomos pra Lonavala.

Vou fazer um post só sobre o trânsito da Índia, então aguardem : )

Lonavala é um lugar um cado sem graça, mas em compensação ficamos num resort lindo!

IMG_4788

IMG_4789

IMG_4793

IMG_4798

Foi lá que aprendi a jogar Carrom, um jogo antiquíssimo que (em teoria) deu origem à sinuca. A diferença é que você dá um peteleco nas peças, pra elas se moverem. Não é difícil, mas eu perdi =/

IMG_4807

IMG_4812

E foi também em Lonavala que eu tive uma experiência intercultural que nunca esquecerei. Dona Lakshmipriya resolve que quer tomar chá. Dona Lakki está de calça jeans e uma blusa de malha, de manga comprida. A temperatura no mundo exterior é de 40 graus. Dona Lakki resolve tomar um chai QUENTE, com toda essa roupa, na VARANDA, que não tem ar condicionado. E ainda fala pro pessoal do room service trazer o chá bem quente que é assim que ela gosta. Go figure.

Outra coisa muito legal em Lonavala é que tem umas cavernas. Fomos em um lugar que dá pra ver algumas – são tipo celas cortadas na rocha, são budistas e as mais antigas foram feitas entre 200 anos antes e 200 anos depois de Cristo. É muito, muito bacana – pena que estava fechado e não dava pra visitar!

IMG_4832

IMG_4836

Massss, em compensação, essa coisa azul aí do lado é um templo. Fomos visitar por dentro (não pode tirar foto) e estava tendo uma celebração. A Lakki não soube me explicar direito – fiquei impressionada com a devoção e com o calor dentro do templo; as pessoas estavam derretendo lá dentro. Pela viagem inteira, uma sensação estranha de estar na igreja de alguém que você não entende, que não sabe nem o que pode ou não fazer lá dentro, e como faz pra não atrapalhar…

No caminho pra ir e voltar do tempo, mil lujinhas com pulseiras infinitas, oferendas pros deuses, traquitanas dos deuses… pena que não tirei foto!

E pra fechar Lonavala, um pequeno milagre: essa cara de contente aí sou eu comendo uma coisa vegetariana. Pode isso, Arnaldo!?

IMG_4841

Pra constar: isso se chama Uthapam, é tipo uma panquequinha crocante e bem fininha, e por cima pode ter cebola, tomate e queijo. Comi em vários outros lugares e aprovei todas as vezes. Hummmm!

***

Okey, okey, uma última foto pra fechar Lonavala… lá tem uma barragem na qual é proibido nadar… apesar de o caminho pra barragem ser pontilhado de barraquinhas vendendo protetor solar, biquini, bóia… logo atrás da placa. :)

IMG_4848

Caminho das Índias, parte II

Aviso: meu feminismo é super a favor de clipes nos quais os gatinhos sensualizam :D

Mumbai teve minha primeira experiência de multidão. Resolvemos ir na praia no domingo à tardinha. Gente do céu – sabe lotado? Sabe MUITO lotado? Lotado do tipo ‘reveillon em Copacapana’ lotado? Então, tipo isso, mas num domingo qualquer à tarde.

Eu não tive coragem de chegar no mar pra ver se era legal, poluído ou não – o mundaréu de gente me tirou a boa vontade. Olha isso, minha gente.

IMG_4748

IMG_4749

Importante notar que as pessoas estão DE ROUPA na praia. Em Goa deu pra ver (e tem fotos pra mostrar) que as pessoas nadam de roupa mesmo. Voltaremos a esse tópico.

Pelas fotos, parece que é uma agradável tarde de primavera européia, tipo 15 graus no sol, né? Naaaaaão, gente! Estava de noitinha, então tinha ‘refrescado’ – tipo 38 graus. E úmido. E essa galera de roupa! Isso me deixou muito impressionada na Índia – mesmo durante o dia, mesmo o pessoal que trabalha no sol… todo mundo vestidíssimo. As mulheres E os homens – todos de calça e camisa, muitas vezes manga comprida. No comprendo, mas acho justo.

(e depois fiquei pensando que essa ‘compostura’ das pessoas dá uma impressão muito menor de pobreza que as nossas cidades de interiorrrr nas quais as crianças andam quase peladas, e os adultos usam muita pouca roupa)

Highlights da praia: tomar água de coco : ) Curiosidade – na Índia, ao contrário do Brasil, você pode pedir pro moço um coco como você quiser – ou muita água, ou muita polpa – e eles dão umas balançadas nos cocos e acertam sempre. Eu sempre pensei que não era possível que você trabalhasse com coco todo santo dia e não tivesse como saber pela experiência o que um coco tem dentro… bom, na Índia, eles sabem.

IMG_4757

Na beira da praia tem um monte de barraquinhas de comidas, bebidas, sorvetes… que tristeza a minha de não poder comer e beber nada (pro coco eu fiz uma exceção, lógico)! Mas examinando bem, a vontade até passa um pouco. Pois então, vejamos – dá pra ver essa banquinha de raspadinha e sorvete atrás de mim, na primeira foto? Na segunda foto dá pra ver os sucos em garrafas pet sem rótulo :D É coisa de interiorrrr ou não é? : )

IMG_4759

IMG_4760

Pra fechar Mumbai, mais dois tópicos…

No hotel, estava começando uma feira de casamento. As pessoas visitam a feira, olham os serviços, e contratam. Porque acordamos cedo, chegamos no comecinho da feira e fomos suuuuper bem tratadas :D Tinha um milhão de flores (tudo que está nas fotos é flor ‘de verdade’) e tudo é tão lindo!

IMG_4640

Quando você se casa, tem esse banquinho onde os noivos ficam, e as empresas de casamento fazem esses banquinhos com todo tipo de decoração atrás… cada um mais lindo que o outro. Disse a moça que era muito auspicioso tirar fotos no banquinho pra arranjar casamento! :D

IMG_4643

Tinha umas moças fazendo mehendi (que é como eles chamam henna na Índia, ninguém chama de henna =/) e elas toparam fazer uma ‘amostra’ na gente. Cara, não dá pra explicar como é ter henna feita por uma profissional – a rapidez da moça, a precisão do desenho, a harmonia, a graça do desenho. Eu achava que as noivas ficam dois dias e meio pra serem pintadas inteiras de henna – que nada, elas são super rápidas, e trabalham em equipe. Parece que dá pra ‘fazer’ uma noiva em 4 horas : )

IMG_4646

A mehendi da Lakki sendo feita:

IMG_4651

A minha, com a henna secando e depois dela cair:

IMG_4688

IMG_4786

Tem coisa mais bonita?

(só pra constar – no final da viagem fiz de novo com uns moços na feira, em Jaipur… me mostraram uma pasta com os vários estilos, eu escolhi, e odiei – o moço ignorou tanto o que eu falei quanto o motivo que eu escolhi, e fez um serviço porco, que eu tirei logo depois. ou seja, não é fácil fazer isso não, é que eu realmente peguei uma artista)

Também passamos por um moço que fazia pulseiras e acompanhamos todo o processo, totalmente manual. Legal demais e sai de lá com uma pulseira :)

IMG_4657

IMG_4672

Pra fechar Mumbai, um pouco de comida boa da Índia…

Fomos numa pizzaria no Marine Drive (que é bacaninha mas nada demais). Gente, o que foi isso?

IMG_4630

Primeiro, o milkshake / lassi de manga. Cabe dizer que a fruta nacional da Índia é a manga, que estávamos em época de manga, e eles tem uma tal de manga Alphonso que é o rei das mangas. Cara, nunca me esquecerei da manga Alphonso. Esse negócio aí é um lassi com uma bola de sorvete de creme flutuando em cima. Minha cara de alegria define.

IMG_4632

IMG_4631

E pra comer, uma pizza Chicken Tikka Masala. Lembrando que eu nem sou fã de pizza! Foi uma das melhores pizzas que eu já comi e eu fiquei o resto da viagem todo querendo repetir o pedido. Sim, comida indiana também é quentinha, crocante e gostosa!

IMG_4634

Caminho das Índias, parte I

Então!, fui na Índia e voltei e estamos aí pra contar a história – em várias partes, é claro. Aperta o play e vambora!

Eu sempre quis ir à Índia, mas fiquei mesmo apaixonada pelo país quando dividi a casa com a Lakki, nos EUA. Mais que aprender sobre os EUA, eu aprendi sobre a Índia, porque a Lakki é a mais prestativa e paciente quando a gente tem um milhão de perguntas, e ela e a Divya me adotaram e me levavam pra cima e pra baixo. Fiquei devendo uma visita, e quando as constelações entraram em acordo, fui.

Antes disso, perguntei pros meus amigos não-indianos que já tinham ido à India o que eles tinham achado. E fiquei até desanimada de ir. Sem exceção, eles falaram da pobreza, sujeira, barulho, bagunça, pedintes, feiúra… eu quase não quis ir mais! Mas criei coragem, comprei uns antissépticos porretas, e fui-me embora.

Minha conclusão final eu vou repetir no final, mas o resumo é o seguinte: a Índia não é pra corações fracos. Tem sim muita feiúra. Mas pra quem conhece o Brasil, não é grande surpresa não. As vilas e subúrbios não são mais pobres do que vilarejo no norte de Minas. As estradas não são piores do que sul de Minas. O trânsito, esse sim, é especial: é tipo 14 vezes mais sem noção do que o de Salvador. Gente pedindo esmola tem em qualquer cidade grande brasileira. E as coisas bonitas… são de ficar besta. Vamos ver se vocês vão concordar :)

Cheguei em Mumbai (antiga Bombaim) e a Lakki me buscou no aeroporto. Primeira surpresa: as pessoas em geral não podem entrar no aeroporto. Só entra quem tem passagem impressa (dica: imprima os comprovantes de todas as suas passagens, senão é um parto entrar nos aeroportos pros vôos locais e de volta). Quem não é viajante tem que pagar uma taxa e tem um processo. Então, mais provável que quem estiver te esperando esteja fora do aeroporto (e o aeroporto, absolutamente vazio).

A Lakki alugou um carro com motorista pra parte da viagem na qual ela me acompanhou. Tentei extrair dela o preço, mas tudo o que ela disse foi que na Índia dá pra fazer isso (alugar uma PESSOA por quatro dias), ao contrário dos EUA. Andamos pra cima e pra baixo com o motorista, com ar-condicionado : )

Logo no primeiro dia, ela já me levou pra tomar um café da manhã típico num fast food. Gente, é preciso muita coragem. Pois senão, vejamos:

IMG_4685

IMG_4675

IMG_4680

IMG_4684

 

Esse ‘fast food’ (não chamarei de espelunca) serve comida desde café da manhã até almoço e jantar. Não lembro o nome dos ‘pãezinhos’ (o branco acho que é idli); o molho vermelho é sambhar (gente, tem um bar em BH com esse nome?!) e o branco é chutney de coco. É comum servir o sambhar (que é muito apimentado, e literalmente quente) com um chutney de coco ou manga ou alguma outra fruta, pra ‘quebrar’ um pouco. É de comer com a mão, mas a Lakki é uma fofa e pediu talheres pra mim.

Particularmente eu não gosto de coisas ensopadas (por isso eu não sou muito fã de comida mineira), então não amei esse café da manhã não. Mas outros melhores virão e eu fiquei emocionada de sobreviver à experiência!

Passeamos por Mumbai por um dia e meio; não achei as atrações fenomenais não. O Portão da Índia, o Marine Drive, a praia… fenomenal foi passear pela cidade e ir me acostumando aos poucos com a quantidade de coisas tão diferentes que têm por lá. Mas pra não falar que não falei, seguem uns pontos turísticos.

O Gateway of India é um monumento que foi construído pra ser a primeira coisa a ser avistada ao se chegar na Índia, e foi criado pra comemorar a chegada de uns reis da Inglaterra em 1911. O que é legal é que as últimas tropas britânicas que saíram do país, quando da independência em 1948, também saíram por lá : )

IMG_4718

IMG_4720

IMG_4721

IMG_4722

Do lado, fica o hotel Taj. Pausa pra falar do Seu Tatá.

Seu Tatá foi um moço que criou o Grupo Tata. Hoje esse grupo é uma multinacional gigantesca que tem empresas nas áreas de tecnologia, engenharia, materiais, serviços, energia, produtos e químicos. Ou seja, tudo. São 114 empresas e você vê de TUDO Tata – de carro a consultoria a hotel a farinha a software a aço. É tipo assustador. TUDO tem ‘a Tata product’ escrito. A empresa é muito querida dos indianos, porque ‘diz que’ eles tratam muito bem os empregados e são super éticos. E o comando da empresa passa de geração em geração.

O hotel foi aberto em 1903. Conta a lenda que, antes disso, o seu Tatá foi impedido de entrar no hotel mais chique da cidade, por não ser branco. Aí ele disse, ah, é? E construiu o Taj Hotel (que depois virou a rede de hotéis mais luxuosa da Índia). Bobões!

O hotel é realmente lindo. Quando chegar na foto da recepção, favor lembrar que lá fora está um calor de literais 40 graus. É beleza infinita um hotel com ar condicionado no talo e uma cachoeira escorrendo pelo vidro. :) Já ficou nesse hotel uma galera famosa, dos Bitous ao Obama. Fomos no restaurante fino e tomamos um suco milionário pra brincar de ser chique ;D Ah!, e do restaurante dá pra ver o Gateway of India!

IMG_4724

IMG_4710

IMG_4707

IMG_4733

IMG_4735

** voltamos em breve com mais Mumbai! **

Eu não morri

Gente, eu não morri!

É que eu tive que trabalhar loucamente, aí trabalhei mais porque ia tirar férias, aí eu saí de férias, daí eu voltei pra Community Meeting (workshop superimportante que vem todo mundo da Europa pra Frankfurt), aí tive visitas, aí trabalhei loucamente, aí tive mais visitas, e ontem as visitas foram todas embora.

Mas hoje tá fazendo SOL, então em vez de escrever no blogue eu vou ali ler um livro na beira do rio :D

Juro que escrevo assim que der! :D