Meio-termo

Uma conhecida pediu uma ajudinha. Pediu pra eu fazer uma prova de inglês online pra ela. Eu disse que faria, claro, mas depois fiquei pensando…

Eu não bebo e dirijo. Em nenhuma circunstância. Já fiz isso uma vez ou outra, depois de ter bebido pouquinho, mas em algum momento eu cheguei à conclusão que simplesmente não valia à pena e, comigo, a tolerância passou a ser zero.

Mas se voce não sai de carro porque vai beber, então alguém tem que sair de carro, né? Então eu continuei pegando carona com pessoas em variados graus de cachaça. Meus amigos são pessoas responsáveis e todos têm seus próprios limites – e o meu limite pros outros está baixando aos poucos. Vamos todo mundo junto e rachamos o taxi? Aqui em Frankfurt é a coisa mais fácil não fazer nem isso: sistema de transporte público eficiente e que funciona 24h, e cidade segura. Outro dia um amigo quis me levar em casa depois de tomar umas, eu agradeci e peguei meu bonde.

O que isso tem a ver com o começo do causo? É que, quando eu estava fazendo essas provas de trainee, eu fiz milhares de provas pra um monte de gente. Inglês, raciocínio lógico, português… eu nunca colei nas minhas próprias provas, porque pra mim a tolerância também é zero. Mas não me opunha a fazer prova pros outros.

Não sei se a comparação faz muito sentido… fazer provas pros outros é meio como pegar carona com gente que bebe?

Essa prova eu já me comprometi a fazer, mas meu lado alemão está me dizendo que não faço outra, não.

Muitas viagens e pouco tempo pra escrever aqui.

O problema é que eu fico querendo fazer posts completos e lindos com fotos e afins, e acabo nao fazendo nada. O bom é inimigo do ótimo, hein?

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Viagem a trabalho: eu gosto! Viagem a Vevey: não, eu não gosto. Normalmente são reuniões importantes (nhé) com pessoas importantes (nhé) nas quais eu tenho que ir arrumada e de salto (nhé) e de noite, em vez de fazer coisas interessantes, eu preciso fazer social e ir jantar com pessoas do trabalho (extra-nhé) – acho que tudo bem, porque em Vevey não tem nada pra fazer mesmo. Sem contar A viagem à Romênia, por outro lado, foi ótima. Deu pra passer bastante, e eu quero fazer posts a respeito :D

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Enquanto esse inverno chato não acaba (mas está acabando!), fiquem com a musiquinha fofinha da vez.

They say it’s your birthday,

Well it’s my birthday too, yeah!

Prometi que ia postar as fotos e não postei nem aqui, nem no Facebook. Antes tarde que mais tarde, seguem as fotos da decoração da festa mais legal de todos os tempos :D

A idéia era fazer um aniversário inspirado nos Bitous, mas que não envolvesse a fase psicodélica. Acabamos escolhendo um motivo em vermelho, laranja, azul e roxo, e muitas letras de música. E o Hoerlle brilhou colocando eu e o Vi dentro do motivo, junto com o George e o Paul.

Escolher as letras foi bem difícil, porque eu queria letras que todo mundo conhece, mas também não queria deixar de fora minhas músicas preferidas. A única coisa que ficou fora, logo de cara, foram as músicas tristes – o que facilitou bem o trabalho, porque diminuiu em metade o universo de músicas que podiam ser usadas. Foram noites e noites em Frankfurt de cortar letrinha de papel – e o resultado ficou lindo! As mesas também ganharam decoração de balão com pedaços de música carimbados em cartão colorido.

A trilha sonora foi 100% Beatles (ninguém reclamou) e a surpresinha da festa foi um cd lindo dos Bitous, com músicas escolhidas a dedo (por mim e pelos fiéis amigos beatlemaníacos). Levei uns pôsters aqui da Alemanha, e imprimimos o motivo da festa milhares de vezes pra usar em tudo, e voilá!

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Começando os trabalhos no dia anterior: colocando a cobertura dos deliciosos cupcakes da Dani. Tinha de chocolate e de caramelo (o que foi esse cupcake de caramelo, meudeus)

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As frases recortadas foram penduradas pelo salão.

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Bolo mais lindo de todos – não sei onde a Dani arrumou essas guitarrinhas estreladas, são a coisa mais fofa!

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Mesa das surpresinhas. A música na decoração é ‘With love,/ from me / to you’ : )

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Mesa do bolo e cupcakes deliciosos. Hmmmm.

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Tinha gelatina pras crianças, mas a gelatina pros adultos fez mais sucesso!

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Vista geral do salão – antes dos convidados chegarem e ficar mais lindo ainda.

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Enfeites de banheiro… ‘she came in / through the / bathroom window’, claro : )

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Bebidas para os adultos: bar faça-seu-próprio mojito e gelatina alcoólica (eu que fiz!)

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Eu deixei os copos prontos com a hortelã, o açúcar mascavo e o limão já macerados e misturados, só faltando adicionar os líquidos. Deu super certo (apesar que eu é que acabei fazendo os mojitos de qualquer maneira)

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Ah, que festa linda!

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Parabéns pra mim e pro Vic! :D

Tradução bem livre de um pedaço de artigo do Metamagical Themas:

“Raymond Smullyan, no seu livro ‘Esse livro não precisa de um título’, dá um exemplo perfeito. É uma história de dois garotos brigando por um pedaço de bolo. Billy quer o pedaço todo; Sammy diz que eles deviam dividir o pedaço igualmente. Um adulto aparece e pergunta o que está acontecendo. Os garotos explicam, e o adulto diz: ‘Nem ao mar, nem à terra – vocês precisam achar uma solução de compromisso. Billy fica com 3/4 do bolo e Sammy, com um quarto’. Esse tipo de história parece ridículo, mas é o que acontece de novo e de novo no mundo, com valentões e bullies forçando pessoas mais dóceis e suaves. A ‘posição do meio’ é calculada pela média de todas as posições tomadas juntas, as ultrajantes e as sensatas, e quanto mais se grita, mais se é ouvido. Pessoas políticas aprendem isso cedo e se usam disso; idealistas aprendem isso tarde e se recusam a aceitar. Os idealistas são como Sammy, e eles sempre se ferram.”

Às vezes eu tenho mesmo essa impressão de que é levado a sério quem grita mais alto, e que a posição do meio é só a posição do meio, não a mais sensata. Então eu fico achando que eu deveria ser femista em vez de feminista, mas isso não faria o menor sentido. Então não sei como faz.