O SUS da Alemanha (ou, como aprender alemão à força)

Desde quinta-feira que eu estava com uma febre chata. Comecei a medir na sexta, a tomar paracetamol, e nada da febre baixar. No sábado, concluí que ou meu paracetamol (trazido do Brasil mas ainda na validade) ou meu termômetro estavam errados.

Como estava me sentindo muito emocionada com minha nova turma de alemão (eu não contei aqui ainda, mas finalmente me inscrevi, e quando perguntei pra professora quando terminamos o A2, ela disse, ‘uai, mas estamos no B1’. fiquei uber-contente!) resolvi que ia comprar as coisas em alemão. Cheguei na farmácia, disse que tinha febre, que precisava de um remédio e também de um termômetro. A moça me deu ibuprofeno, me explicou como usava e eu entendi tudinho. Ainda repeti (no máximo três vezes por dia, de oito em oito horas) pra confirmar.

Saí de lá tiritando de frio, porém contente.

***

No domingo de manhã, com a mesma febre chata, conversei com umas amigas hipocondríacas que mandaram eu ir no médico djá. Liguei pro plano de saúde e discuti com a moça (em alemão!) que me disse que eu não podia ir pra emergência não, porque pra ser considerado emergência precisava de três dias de febre. Eu tinha que esperar segunda e ir na minha hausartz.

(aqui, pra qualquer doença, tem que ir primeiro numa clínica geral, a hausartzin; se ela achar necessário, aí sim te indica pro especialista. apesar que dá uma certa preguiça quando você acha que já sabe o que tem, faz total sentido, já que a gente não deveria achar que já sabe o que tem)

Fiquei contente com o alemão mas descontente com o resultado – eu ainda não sei fazer drama nem chantagem emocional. Anotado.

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Domingo de tarde, larguei mão das regras alemãs e fui no pronto-socorro e pronto. Achei que meu alemão estava bem ruim, porque depois que eu descrevi os sintomas a moça da recepção me mandou pra dermatologia (e eu achando que tinha dengue). Mas no final a moça estava certa. Eu tenho catapora.

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Comentário do médico de hoje: ‘você está meio velha pra ter catapora, hein?’. Pois é, seu dotô.
Com os médicos, não tive coragem de falar em alemão. Não ia ser bom pra saúde.
(mas ó, eu li as bulas de tudo. ou pelo menos olhei as letrinhas)

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Então, eu tenho catapora. De novo. Parece que “é raro mas acontece” – eu posso ter perdido a imunidade, ou a catapora daqui ser diferente. Depois descobri que não é tão raro assim, e que bastante gente de outros paises pega catapora de novo aqui. Melhor ter companhia do que ser especial, nesse caso!

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Ah, sobre o sistema de saúde alemão.

Eu pago o plano de saúde obrigatório e caríssimo todo mês, e nunca tinha usado.

Dessa vez, fui na emergência e no hausartz. Não paguei nada, só apresentei a carteirinha do convênio. O atendimento demorou, mas né, eu não estava sangrando nem morrendo de dor. Achei os médicos muito profissionais. Me explicaram tudo direitinho (apesar que depois eu sempre lembro de outras perguntas que eu poderia ter feito).

Na farmácia, o ibuprofeno custou 4,50; o termômetro, cinco euros. Achei barato.

O médico do domingo me receitou um remédio que é primo do aciclovir, só que mais moderno. No Brasil aciclovir é beeem caro, tanto que a gente mandava fazer na farmácia de manipulação pra melhorar um pouco. Hoje tem genérico, e mesmo assim é caro: uma caixinha com 25 comprimidos custa cem reais, e eu normalmente precisava tomar mais que isso.

Os remédios receitados por médicos aqui são subsidiados. Adivinha quanto eu paguei pelo meu remédio? Sete euros e cinquenta centavos. Sete euros e cinquenta centavos! Eu até conferi dentro do pacotinho pra ver se a farmacêutica tinha me dado o remédio certo. Conferi aqui o preço normal nos Eua: 163 dólares, a mesma caixinha. Amei você, sistema de saúde alemão.

***

Já comentei aqui que a lei trabalhista é bem severa e que não se trabalha de noite/madrugada e em final de semana. Pra farmácias, a mesma coisa – a maioria só funciona sábado de manhã. Daí que toda cidade tem pelo menos uma farmácia de plantão todo dia; na internet tem a lista.

(diz também que em toda farmácia fechada tem o endereço daquela que está de plantão no dia)

Pra quem está doente, é vagamente chato ter que descobrir qual a farmácia aberta mais próxima e ir até lá (aqui em Ffm eram cinco, ontem; nenhuma no meu bairro). Mas pensem em quantas pessoas estão em casa numa hora dessas, sem ter que trabalhar só porque alguém achou imprescindível ter duas Araújo 24h em cada bairro da zona sul.

2014-01-12 20.32.33

Na porta da farmácia em serviço de emergência (Notdienst)

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3 thoughts on “O SUS da Alemanha (ou, como aprender alemão à força)

  1. Espero q esteja melhor! Tanta coisa q a gente nao sabe nessa vida hein? Deve ser mesmo uma catapora diferente da nossa ou pegar de novo nao é impossível como nos fazem acreditar. Melhoras!

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