DIY: sendo legal com alguém doente longe de casa

Nesse post, vou explicar em passos fáceis e com exemplos reais como não ser uma pessoa escrota com seu amigo ou parente que está doente e longe de casa, sem ninguém por perto. É fácil!

COMO NÃO FAZER ISSO:

Doença-explicanismo. Isso acontece quando você acha que sabe mais da doença do que o próprio doente, e não está bem familiarizado com o conceito de empatia. Por exemplo:

“Tem várias outras doenças com os mesmos sintomas de catapora. Acho impossível pegar catapora de novo…” – que bom que você acha isso. A sorte é que esse assunto não é sobre o que você acha, e sim sobre o que os médicos acham, ou então eu poderia estar tomando remédio pra outra coisa, por exemplo…

“Não são as cinco mil picadas de pernilongo daqui do Brasil não?” – bem provável que eu não saiba diferenciar pústulas, acompanhadas de quatro dias de febre, de mordida de pernilongo.

“O bom de catapora é que tirando a coceira nada mais se sente… Uma febrezinha, talvez” – que bom que você pegou catapora há mais de vinte anos, logo está super informado pra me contar como é ter catapora depois de adulta.

(depois de ouvir os sintomas) “Não é possível que isso é catapora!”.

Não perguntar como a pessoa está, especialmente se for uma pessoa próxima.

Bônus: Discursar longamente sobre a catapora de outras pessoas, e esquecer de perguntar como a pessoa está (esse eu tenho exemplo mas não posso publicar).

COMO FAZER ISSO:

Está totalmente liberado ficar confuso a respeito e perguntar ‘como assim catapora?’:

“I thought you can only get it once?”

“Catapora com 30 anos e em terras germânicas? Nunca te mandaram brincar com o vizinho cataporento quando vc era criança? heehehhehe. Mas e como vc tá?”

Perguntar como a pessoa está:

“Como você tá se sentindo?”

“e como você tá?”

“are you feeling any better?”

“E aí, menina dodói! Como foi [no médico]?”

Se disponibilizar pra ajudar:

“Se precisar de alguma coisa, me fala…” – logo depois de já ter parado o trabalho pra ligar pra minha casa e descobrir onde estão meus pais.

“Se vc precisa de alguma coisa, por gentileza me fala e posso ir ao supermercado [ou comprar remédios].”

“Posso ajudar em alguma coisa, mano?”

“hei. we’ll go out and do some shopping. If there is anything you need and is better for you to stay in, by tonight i can supply (water, food, medicines)… just sms. is really no bother, don’t hesitate! take care” – antes mesmo de saber que era catapora. Depois de saber que era catapora: “Take care. Should we organize a chain of supply?!”

Disponibilizar o seu tempo:

“Quer conversar no Skype?”

É fácil ou não é?

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3 thoughts on “DIY: sendo legal com alguém doente longe de casa

  1. Lembrei de um professor que lecionou “Segurança no Trabalho” para mim no ensino médio. Tudo ele tinha um causo, especialmente quando o tema era doenças ou pequenos acidentes e, sempre, a consequência era trágica. Do tipo, você, sem querer, enfiava um estrepe de madeira no seu dedo, mostrava para ele para ir lavar, ele complementava que era melhor mesmo para não infeccionar e que “pior” (sempre vinha com um pior) ele conhecia uma mulher que amputou o dedo após ter enfiado um estrepe. Ou ainda: você começa a tossir na sala de aula, ele dizia “pior” que a sogra da tia do namorado da filha tinha morrido com uma tosse super parecida. Suas palavras eram super reconfortantes, fazia você dar star ao processo de surto…

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