Grecia, parte VIII

A razão de irmos dormir em Paleochora (também vale escrever Paleocora, mas por razões que ficarão claras em instantes, eu prefiro o primeiro jeito) é porque essa cidadezinha é o lugar habitado mais perto de Elafonisi. E Elafonisi é ‘a praia mais bonita da Grécia’ tra-la-la.

Foi de longe nossa pior acomodação – custamos a achar o lugar, os caras eram super mau humorados e de zero boa vontade. Chegamos, pagamos, e quando demos por nós, eles tinham ido embora e largado a gente lá! Literalmente, é um hotel sem recepção! Seria tudo bem se o controle remoto do ar-condicionado do nosso quarto fosse compativel com o aparelho na parede. E seria tudo bem também se desse pra dormir com a varanda aberta – mas tinha uns gatos ameaçadores lá fora. Ameaçadores, gente. Como que não tem foto disso, Dedeh?

Dai, enquanto a Deborah tomava banho, resolvi que não havia condições de ser feliz naquele forno, e resolvi que não tinha como chamar os caras de volta, então fui explorar o hotel. E sai literalmente acendendo todas as luzes, tentando abrir todas as portas, abrindo todas as gavetas. Lembra de Alone in the Dark? Foi exatamente o mesmo sentimento, e também o mesmo medinho. Os quartos que não estavam sendo usados tinham as chaves nas portas, do lado de fora. E eram três andares de hotel, todo apagado porque já era mais de meia-noite. Achei os livros de contabilidade; achei coisas escritas em grego; achei uma mao só de luva; achei muitas coisas. Recolhi controles de ar-condicionados em TODOS os quartos pra ver se algum era compatível com o do nosso. Usei as pilhas deles no nosso. E nada.

Quando já tinha devolvido tudo e desistido, vi uma porta do lado do quarto que tinha passado batida. Sabe aquela porta que o jogo só deixa você ver quando já rodou bastante pela fase? Então, eu vi a porta, que era menor que as outras. Abri sem esperanças. Era o depósito, e entre mil coisas não muito limpas achei UM PACOTE de controles de ar-condicionado. Juro. Devia ter tirado uma foto.

Voltei pro quarto toda esperançosa e tentei um por um e… pra resumir o drama, no terceiro ou quarto nosso ar-condicionado respondeu. E ai Dedeh saiu do banho quando tudo já estava funcionando, falou ‘opa, voltou a funcionar?’ e eu dei de ombros e disse, ‘pois é’.

(mentira! é claro que ela teve que ouvir com detalhes toda a emocionante história do controle do ar-condicionado e ficar muito emocionada por eu ter heroicamente salvado o dia)

Bom, protegidas do calor e dos gatos do mal, acordamos cedíssimo no dia seguinte porque a mala sem alça que vos fala queria chegar cedinho em Elafonisi. E gente, eu brilhei.

Crianças, venham cá que eu vou explicar. Prestem bastante atenção nessa foto aí embaixo. Tão vendo como o chão parece molhado? É porque tem mesmo água aí. Essas espreguiçadeiras ficam *dentro* do mar. Dá pra ver como tem uma faixa sem cadeiras e depois mais cadeias no fundo? Essa faixa é onde o mar invade a praia, e faz uma pequena lagoinha. Mais pra trás, tem mar de novo. A terra firme fica pra esquerda, bem atrás.

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A praia

Porque pra direita, na frente, tem isso aqui dessa foto debaixo. Isso atrás da Dedeh é Elafonisi propriamente dita, que é uma ilha. E quando a maré está baixa (friamente calculado isso ai) dá pra chegar nela a pé e sem nem molhar os pertences. Nessa foto dá até pra ver as pessoas no caminho.

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A ilha

Resolvemos explorar, largamos nossos trens e fomos visitar Elafonisi. Vimos bastante gente com livros e afins fazendo a travessia, mas eu sou mineira e preferi deixar as coisas bem seguras em terra firme. Pela cor da água dá pra saber onde é mais raso e onde é mais fundo. E em qualquer fundura é tudo lindo. Olhando pra essas fotos eu me pergunto se Elafonisi ganha de Laguna Balos. Acho que vou precisar voltar pra decidir.

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Vista da ilha, na terra.

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No meio do caminho

A ilha é bem protegida e totalmente selvagem. Não tem absolutamente nada. Tinha alguns naturistas tomando sol, com a família toda. Estava bem vazio e bem calmo. A ilha é pequena, imagino que lote fácil. Valeu demais a pena termos ficado em Paleochora e chegarmos lá antes das hordas de turistas. Essa foto abaixo é de quando estávamos fazendo o caminho de volta, poucas horas depois. Dá pra ver a enorme diferença no número de pessoas vindo. Se você quer pegar Elafonisi tão linda quanto nas nossas fotos, o negócio é madrugar mesmo.

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Vista da terra, na ilha.

E como vale a pena. Elafonisi é linda.

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Na ilha

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Elafonisi, sua linda!

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Egeu: check.

Almoçamos na praia e nos despedimos do Egeu. Hora de voltar pra Iraklio, passando por Chania, pra última parada no roteiro: o palácio de Knossos. Claro que nesse trajeto também teve emoção: o super estrelado e imperdível palácio de Knossos ficou pro último dia, à tarde, voltando da praia, tipo 45 do segundo tempo. De novo, momentos de tensão, e muito sangue-frio da co-pilota. Como acerta o caminho desse jeito, gente?

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One way or another

Ah!, também quero reconhecer publicamente que a co-pilota, além de tomar conta do som, da temperatura, das fotos, das coisas que eu queria mastigar, da direção (sem GPS, importante lembrar), do mapa, das placas… também limpa vidro e sabe botar gasolina no tanque (parece bobagem mas brasileiro normalmente não sabe operar a bomba, já que temos quem faça isso pra nós). Thanks, Dedeh!

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Trabalhando

O triste é que, quase chegando em Iraklio, com o tempo super contado… eu errei o caminho. Me deu vontade de jogar o carro no barranco (mentira, deu nada) e fiquei muito infeliz. Mas como a sorte acompanha os audazes mesmo que eles não tenham senso de direção nem saibam seguir as placas e as indicações da co-pilota, o horário de fechamento do museu tava errado no guia e chegamos com bastante tempo. Aliás, muitos horários estão errados no guia, e ele mesmo manda verificar tudo nos sites. Só que os sites TAMBÉM não têm os horários certos, ou nem sempre, então garantido mesmo é a placa. E o portão aberto, caso esteja. Pura emoção.

Então, Knossos. É um palácio da era Minóica, que ganhou esse nome por causa do Rei Minos. O negócio é velho pra caramba – estamos falando de Idade do Bronze, rapaziada. E todo mundo ficou bem decepcionado quando descobriu que não tem labirinto lá. Mas de qualquer maneira vale a visita e é legal demais.

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Knossos

O escândalo desse museu é um moço polêmico chamado Sir Arthur Evans. Ninguém queria terminar de desenterrar os troços, aí ele foi lá e COMPROU a área toda e desenterrou. Mas o negócio é que ele também restaurou o edifício como ele achava que tinha sido, e isso é suuuper controverso hoje. Tem gente que acha que ele foi criativo demais, e chegou a muitas conclusões sem evidência suficiente. Mas o fato é que não dá mais pra saber, porque já está tudo reconstruído mesmo.

Opinião minha, de leiga ignorante: adorei as partes reconstruídas. Mas é porque eu não me importo tanto com a exatidão da reconstrução, e sim com a sensação que dá de voce estar num lugar que dá pra reconhecer e entender. Muito legal mesmo.

Apesar de que não tem o labirinto, tem um afresco do Minotauro (que deve ter sido o que inspirou o nome do palácio e da civilização e coisa e tal). Parece também que os afrescos foram ‘livremente’ completados pela equipe do Sir Evans, mas eu curto :)

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O minotauro!

Pra não falar que foi só alegria, tivemos duas decepções. A da Deh foi que o acesso à Grande Escadaria de Knossos estava bloqueado. É uma parte suuuper sensível e é preservado pras futuras gerações. Mas como ela mesmo disse, de que serve a gente não poder ver agora pra nossos ta-ta-tataranetos poderem ver no futuro? Nheeeeé!

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Nhé pras gerações futuras

E a minha decepção… aiai. No quarto da rainha, tem um afresco de golfinhos. No guia falava que era lindo, fabuloso, uma obra de arte autêntica e magnífica. E eu fiquei rodando ao redor do tal quarto pra conseguir enxergar o tal afresco famosíssimo, e só uns minutos depois descobri que precisava entrar num corredor que eu não tinha visto (sim, é meio labiríntico o lugar). Tanto trabalho pra ver isso ai:

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Os fabulosos golfinhos da rainha. Cê jura?

Mesmo considerando esse choque, a visita é muito legal e vale muito a pena. Os minóicos nào têm NADA a ver com as coisas que a gente viu na Grécia, mesmo porque são muito anteriores. Não tem nada branco e gigantesco, mas se a gente pensar como essas ruínas são absurdamente antigas, Knossos é mais impressionante que o Parthenon.

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Palácio de Knossos

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9 thoughts on “Grecia, parte VIII

  1. E a temperatura da água em Elafonisi, como é? Esse é um dado que conta muito pra mim, que odeio água fria (acho que fui gato em outra encarnação).

    Nós também fizemos Egeu: check! no nosso mini-cruzeirinho pelas ilhas gregas! (E a água estava mais fria que quente, mas era final de outubro, então nem dá pra recramá).

    Beijos!

  2. Adorando os passeios. Será possível um resunho de todo o roteiro no final, perna a perna e como fizeram para ir? Gostaria de copiar.
    Grata,
    Maria

  3. Adorei o afresco dos golfinhos!! É lindo! Principalmente lembrando a época que foi feito. (Veja o que é o gosto de cada um…)

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