O caso do corte de cabelo

Eu falei que ia postar a respeito, né? Fiquei enrolando porque estava esperando uma foto boa do ‘depois’, acabei não tirando, esquecendo, e aí hoje resolvi parar de enrolar.

Faz uns anos que parei de cortar o cabelo em ‘cabeleleuros’. Na verdade eu mal comecei, porque antes desse período quem cortava meu cabelo era mamã. Um dia eu li um livro que mudou minha vida e chama Curly Girl.

Ok, nem mudou minha vida, mas fiquei surpresa de saber que existem sim mais pessoas como eu! (isso foi antes do BuzzFeed; amo essa compilação) E fiquei mais surpresa ainda por ler que basicamente os produtos que existem no mercado são pra cabelo liso, e fazem mal pra cabelo cacheado. Como assim?

É que o cabelo liso é liso porque o fio é todo lisinho; o sebo da cabeça escorre pelos fios e deixa o cabelo todo hidratado. Às vezes hidratado até demais. Mas o fio do cabelo cacheado/ondulado/crespo não é lisinho, então o sebo não chega nas pontas. Por isso o cabelo não-liso tende a ser mais seco nas pontas (e não é por falta de oleosidade em cima!).

Segundo o livro, o sebo do cabelo é estéril e limpo; o que deixa ele sujo são as coisas que vão grudando nele. A teoria é que, em vez de usar o maravilhoso sebo natural que temos, a gente arranca o sebo com xampu (que tem os mesmos componentes químicos de detergente de pia – pode olhar, eu conferi) e depois tenta compensar com hidratantes que não são tão bons quanto o nosso próprio sebo – e que ainda têm ingredientes gordurosos que são eliminados só com mais detergente. Pra cabelo liso, isso até funciona, mas pra cabelo cacheado, não. E qual a solução, então?

Bom, a idéia é parar de lavar o cabelo – com xampu! Lavar com água, friccionando bem, tira a sujeira. Depois de lavar o cabelo só com água, não vale encher ele de produtos com silicone, que não saem com água. Tem que eliminar as duas coisas: os xampus com sulfatos e os hidratantes/leave-ins/geis/afins com silicone. O difícil é esse segundo aí.

Eu segui essa ‘dieta’ capilar por uns tempos, uns anos atrás, e adorei. O cabelo demora um tempo pra se acostumar (mesmo porque primeiro voce tem que lavar pra tirar toda a gordura e sujeira e silicone acumulados, e deixar ele se recuperar), mas fica muito lindo. Eu tinha cachos desde a raiz, lindos e com muito mas volume, mas sem frizz! Maravilha das maravilhas.

Acabei parando porque acaba que não pode usar nada no cabelo. Hidraloe, de jeito nenhum! Qualquer banho de creme tem que ser escrutinado à procura de ‘cones’. E eu tenho que dizer que eu adoro um creme de cabelo novo, um hidratante, um creme especial. Tem que cuidar da minha única beleza, né! : ) Pensando bem, agora, eu devia aproveitar que estou aqui na Alemanha e voltar pra esse método. E também parar de juntar tralha e gastar dinheiro em produtos de cabelo que às vezes eu uso uma vez, odeio, e ficam ali pegando poeira. Minimalismo capilar djá!

(antes eu tenho que terminar o estoque de hidraloe que eu andei fazendo pra me garantir no caso de um apocalipse zumbi)

Bom, mas e o corte? Bom, de acordo com o livro, esse negócio de molhar o cabelo, pentear todo e zás, passar a tesoura, também só funciona pra cabelo liso. Os cachos são todos diferentes, cada um tem sua constante de elasticidade, não dá pra esticar tudo, cortar e esperar que, quando secar, tudo fique do mesmo tamanho, né? E outra – cacho tem lugar certo pra cortar. O cacho faz um S – na verdade vários Ss, maiores se o cabelo for ondulado, menores se o cabelo for cacheado mesmo. O truque é cortar exatamente no meio do S, na perpendicular, formando dois Cs. Aí o cacho fica redondinho e não espeta. E como faz isso? Cortando o cabelo a seco, cacho por cacho.

Quando eu morava em casa, a Dani é que fazia esse processo. Da última vez que eu fui ao Brasil, ela fez também! Mas com meu cabelo gigante e muito longe de ir pra casa, resolvi cortar eu mesma. A dificuldade era saber o que eu cortei e o que não. Daí tive a brilhante idéia de encher o cabelo de gel pros cachinhos ficarem quietos, depois pintar todas as pontas com guache, e depois sair cortando até não ter mais nenhum cabelo colorido. Yey!

(esse é meu cabelo antes do corte – acima do ‘comprimento Alanis’ não pode)

antes

Antes

Pena que essa idéia do guache não deu certo. Eu ia gastar o dobro do tempo só pra pintar todos os cachos de colorido antes de cortar! Dai resolvi fazer que nem gente e prendi um tantao no alto da cabeça e ia soltando e cortando. Durou mais de duas horas o procedimento de corte; eu não garanto que cortei todos os cachos, ou que não cortei nenhum duas vezes. As pontas estavam bem estragadas, então estava fácil de ver o que precisava cortar mais…

A parte boa foi fazer isso papeando no skype :D

durante

Durante…

Uma coisa legal de eu mesma cortar é que deu pra juntar todo o cabelo cortado num cantinho só, e nem fez muita sujeira. No começo eu ainda ficava analisando o cacho, vendo se tinha mais de um junto, calculando qual era a perpendicular correta da tesoura… quando percebi que tinha ainda uns trezentos cachos pra cortar, perdi um pouco o preciosismo. Eu devia ter contado – foram muitos e muitos.

E no final das contas, pra mim deu uma diferença enorme! Percebam que na primeira foto o cabelo vai até o ‘and’ da camiseta. Nessa foto aí embaixo, mal chega no ‘calm’! E na foto de lado, dá pra ver uns cachinhos soltos.

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Depois!

Liçóes aprendidas? Demora! Precisa ter a tarde toda livre. É bom ter companhia no skype. Da próxima vez, vou passar mais creme e menos gel, na esperança de ficar com uns cachos mais grossos e não ter tanto trabalho. Ainda quero pensar num jeito do guache funcionar…

Acabou que não achei nem uma foto que mostra como ficou o corte; só essa aí, com uma cara de mais-ou-menos no Louvre. Na verdade, na verdade, não ficou fenomenal não, mas só de não ter ficado horrível eu já achei grandes lucros! E terei muitas oportunidades de aperfeiçoar o método :)

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Depois, de novo

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Grécia, parte IX e final

Depois de Knossos, fomos devolver o carro e aí acabou a viagem. De carro, foram quase 700km em 3 dias!

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Porto de Iraklio

Pra não dizer que acabou por aí, saímos pra jantar e eu queria MUITO ir pra balada ou pelo menos um barzinho. Mas meus olhos estavam simplesmente fechando, e eu estava até sentindo frio de tão cansada, e aí voltamos e dormimos e no dia seguinte fomos embora da Grécia. Beijo, sua linda!

***

A Grécia foi meu melhor destino de férias de verão até hoje, batendo (por pouco) a Croácia. São vários os fatores: comida gostosa, tempo bom, praias maravilhosas, e muita história. Eu ando adorando ver história em lugares abertos, não enfurnada em museus, especialmente se o dia está lindo lá fora. Se fosse pra fazer de novo, eu cortava fora a semana da Yacht Week (que foi ótima, não me entendam mal) e ficaria mais tempo em vários lugares – especialmente Chania, que foi a mais injustiçada.

Preciso aprender a planejar as viagens com mais tempo e menos atividades. Mesmo quando eu corto cidades, eu não consigo cortar atividades dentro da cidade! Creta em três dias foi fenomenal mas extenuante. Como a gente acordava cedinho pra pegar as praias vazias e passava o dia todo no sol e no volante, de noite não sobrava energia pra tomar uma cerveja. Era o jantar e cama. E mesmo eu me orgulhando de fazer bons planos, imprevistos acontecem (e praias lindas pulam na frente da gente), e a programação toda foi ficando atrasada. O plano pras próximas férias é deixar uma tarde livre a cada dois dias. Du-vi-do que eu consiga. E mesmo que eu conseguir, chegando lá vou pensar ‘oba, tenho a tarde livre, vamos nesses três museus?’. Aff.

Cheguei à conclusão de que roadtrip é comigo mesmo. Eu adorei o iate que navegava sem a gente ter trabalho (e até com a gente dormindo!), mas mais gostoso ainda é a gente decidir na hora aonde vai, onde pára. Mesmo que não possa beber no caminho, mesmo que não possa varar a noite na balada se tem que dirigir no dia seguinte, mesmo que seja cansativo. Pra mim faz parte da graça e talvez eu tenha curtido mais Creta do que os outros lugares por ter o Jimmy :)

Não entendo como mais brasileiros não vão pra Grécia. Nem minhas irmãs tinham ido, e olha que é difícil achar lugar onde elas não foram ainda!(agora que L&L foram pra Atenas, só devo ter ficado com a Bósnia :) Eu sempre quis ir pra Grécia, desde pequena. Demorou um pouco, mas chegou. E na verdade eu continuo pequena, né : )

É difícil fazer tops da Grécia porque muitas coisas foram fenomenais. Mas vamos lá, e com fotos :)

Melhor cidade: Atenas, disparado. Quero morar lá. Não é comum eu me apaixonar por uma cidade assim; quero voltar.

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Atenas

Cidadezinha mais fofinha: Chania, com menção honrosa pra Hidra. Merece uma visita mais demorada, merece passeios pelo cais, e merece ir nos bares e baladinhas. Fica na lista.

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Chania

Melhor praia: agora que escrevi os posts de Balos e de Elafonisi, tá difícil escolher. E ainda li os posts antigos e lembrei do bar de Mykonos… tá fácil não. Vou ficar com Elafonisi, porque Balos é trampo pra chegar, e eu não gosto de subir morro. Mas é realmente difícil escolher, ainda mais porque tem praia pra todos os gostos. Tem praia pra criança, tem praia família, tem praia pegação, tem praia que não tem ninguém, tem praia que tá todo mundo lá. É só escolher.

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Elafonisi

Melhor por do sol: Falasarna. Mudou meu conceito de pores-do-sol :) Hoje posso dizer que gosto deles, e até paro pra ver e tirar foto quando tem um bem bonito aqui em Ffm!

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Falasarna

Melhor comidinha salgada: ter que escolher isso é pedir pra eu sofrer. Tudo na culinária grega (e na cretense também) é muito fresco e muito gostoso. Eu poderia escolher os pasteizinhos, porque adoro pastéis e aqui em Frankfurt não tem. Mas vou ser justa e escolher as saladas – porque eu nunca na vida comi salada com a boca boa que eu comi na Grécia. Inacreditável. Se tiver que escolher uma, a salada cretense de Hidra que nem fui eu que pedi :P

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Salada, hmmm!

Melhor comidinha doce: frozen yogurt, sem concorrentes. Difícil seria escolher UM, mas eu nem lembro os nomes das lujinhas… importante é ter uma em cada esquina!

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Geladinho, saboroso

Melhor restaurante: muito dificil escolher entre o de Atenas e o de Santorini – e é preciso considerar o de Hidra. Mas vou dar o prêmio pro de Atenas, porque os outros dois eram restaurantes de gente fina, não pode sentar de perna de indio debaixo da mesa nem pode beliscar do prato do zoto.

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Mermingas, my love!

Melhor balada: day party da Yacht Week. Esse realmente foi o ponto alto da YW : ) É meio concorrência desleal porque não fomos em baladas praticamente depois da YW. Menção honrosa pra Mykonos.

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Festa dend’água

Melhor drink: o mojito de milhares de dólares no Jackie O’ da praia em Mykonos. Menção honrosa pro Gigi, que eu aprendi a fazer e de quebra ainda conheci um gin novo fantástico.

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Mojito do Jackie O’

Melhor passeio cultural: Acrópole. O templo de Zeus Olímpico é mais bonito e impressionante, Knossos é mais legal e user-friendly, mas onde eu queria ir desde criança era na Acrópole. Check!

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Linda mesmo com andaime

Melhor idéia da viagem: em terceiro lugar, alugar um carro off-road (um beijo, Carmen!). Em segundo, comprar protetor solar once-a-day que não precisava ficar reaplicando. E em primeiro… BOINHAS! Deu até dó jogar as boinhas fora quando saimos da última praia… elas foram fiéis companheiras.

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amo!

Melhor música: tem um monte de músicas que são da yacht week (Wake me up e Blurred Lines), e muitas que a gente levou e nem tocou por lá… vou escolher uma da segunda semana. Porque eu estou no topo do mundo, ehp!

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Até breve, Grécia!

Grecia, parte VIII

A razão de irmos dormir em Paleochora (também vale escrever Paleocora, mas por razões que ficarão claras em instantes, eu prefiro o primeiro jeito) é porque essa cidadezinha é o lugar habitado mais perto de Elafonisi. E Elafonisi é ‘a praia mais bonita da Grécia’ tra-la-la.

Foi de longe nossa pior acomodação – custamos a achar o lugar, os caras eram super mau humorados e de zero boa vontade. Chegamos, pagamos, e quando demos por nós, eles tinham ido embora e largado a gente lá! Literalmente, é um hotel sem recepção! Seria tudo bem se o controle remoto do ar-condicionado do nosso quarto fosse compativel com o aparelho na parede. E seria tudo bem também se desse pra dormir com a varanda aberta – mas tinha uns gatos ameaçadores lá fora. Ameaçadores, gente. Como que não tem foto disso, Dedeh?

Dai, enquanto a Deborah tomava banho, resolvi que não havia condições de ser feliz naquele forno, e resolvi que não tinha como chamar os caras de volta, então fui explorar o hotel. E sai literalmente acendendo todas as luzes, tentando abrir todas as portas, abrindo todas as gavetas. Lembra de Alone in the Dark? Foi exatamente o mesmo sentimento, e também o mesmo medinho. Os quartos que não estavam sendo usados tinham as chaves nas portas, do lado de fora. E eram três andares de hotel, todo apagado porque já era mais de meia-noite. Achei os livros de contabilidade; achei coisas escritas em grego; achei uma mao só de luva; achei muitas coisas. Recolhi controles de ar-condicionados em TODOS os quartos pra ver se algum era compatível com o do nosso. Usei as pilhas deles no nosso. E nada.

Quando já tinha devolvido tudo e desistido, vi uma porta do lado do quarto que tinha passado batida. Sabe aquela porta que o jogo só deixa você ver quando já rodou bastante pela fase? Então, eu vi a porta, que era menor que as outras. Abri sem esperanças. Era o depósito, e entre mil coisas não muito limpas achei UM PACOTE de controles de ar-condicionado. Juro. Devia ter tirado uma foto.

Voltei pro quarto toda esperançosa e tentei um por um e… pra resumir o drama, no terceiro ou quarto nosso ar-condicionado respondeu. E ai Dedeh saiu do banho quando tudo já estava funcionando, falou ‘opa, voltou a funcionar?’ e eu dei de ombros e disse, ‘pois é’.

(mentira! é claro que ela teve que ouvir com detalhes toda a emocionante história do controle do ar-condicionado e ficar muito emocionada por eu ter heroicamente salvado o dia)

Bom, protegidas do calor e dos gatos do mal, acordamos cedíssimo no dia seguinte porque a mala sem alça que vos fala queria chegar cedinho em Elafonisi. E gente, eu brilhei.

Crianças, venham cá que eu vou explicar. Prestem bastante atenção nessa foto aí embaixo. Tão vendo como o chão parece molhado? É porque tem mesmo água aí. Essas espreguiçadeiras ficam *dentro* do mar. Dá pra ver como tem uma faixa sem cadeiras e depois mais cadeias no fundo? Essa faixa é onde o mar invade a praia, e faz uma pequena lagoinha. Mais pra trás, tem mar de novo. A terra firme fica pra esquerda, bem atrás.

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A praia

Porque pra direita, na frente, tem isso aqui dessa foto debaixo. Isso atrás da Dedeh é Elafonisi propriamente dita, que é uma ilha. E quando a maré está baixa (friamente calculado isso ai) dá pra chegar nela a pé e sem nem molhar os pertences. Nessa foto dá até pra ver as pessoas no caminho.

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A ilha

Resolvemos explorar, largamos nossos trens e fomos visitar Elafonisi. Vimos bastante gente com livros e afins fazendo a travessia, mas eu sou mineira e preferi deixar as coisas bem seguras em terra firme. Pela cor da água dá pra saber onde é mais raso e onde é mais fundo. E em qualquer fundura é tudo lindo. Olhando pra essas fotos eu me pergunto se Elafonisi ganha de Laguna Balos. Acho que vou precisar voltar pra decidir.

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Vista da ilha, na terra.

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No meio do caminho

A ilha é bem protegida e totalmente selvagem. Não tem absolutamente nada. Tinha alguns naturistas tomando sol, com a família toda. Estava bem vazio e bem calmo. A ilha é pequena, imagino que lote fácil. Valeu demais a pena termos ficado em Paleochora e chegarmos lá antes das hordas de turistas. Essa foto abaixo é de quando estávamos fazendo o caminho de volta, poucas horas depois. Dá pra ver a enorme diferença no número de pessoas vindo. Se você quer pegar Elafonisi tão linda quanto nas nossas fotos, o negócio é madrugar mesmo.

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Vista da terra, na ilha.

E como vale a pena. Elafonisi é linda.

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Na ilha

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Elafonisi, sua linda!

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Egeu: check.

Almoçamos na praia e nos despedimos do Egeu. Hora de voltar pra Iraklio, passando por Chania, pra última parada no roteiro: o palácio de Knossos. Claro que nesse trajeto também teve emoção: o super estrelado e imperdível palácio de Knossos ficou pro último dia, à tarde, voltando da praia, tipo 45 do segundo tempo. De novo, momentos de tensão, e muito sangue-frio da co-pilota. Como acerta o caminho desse jeito, gente?

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One way or another

Ah!, também quero reconhecer publicamente que a co-pilota, além de tomar conta do som, da temperatura, das fotos, das coisas que eu queria mastigar, da direção (sem GPS, importante lembrar), do mapa, das placas… também limpa vidro e sabe botar gasolina no tanque (parece bobagem mas brasileiro normalmente não sabe operar a bomba, já que temos quem faça isso pra nós). Thanks, Dedeh!

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Trabalhando

O triste é que, quase chegando em Iraklio, com o tempo super contado… eu errei o caminho. Me deu vontade de jogar o carro no barranco (mentira, deu nada) e fiquei muito infeliz. Mas como a sorte acompanha os audazes mesmo que eles não tenham senso de direção nem saibam seguir as placas e as indicações da co-pilota, o horário de fechamento do museu tava errado no guia e chegamos com bastante tempo. Aliás, muitos horários estão errados no guia, e ele mesmo manda verificar tudo nos sites. Só que os sites TAMBÉM não têm os horários certos, ou nem sempre, então garantido mesmo é a placa. E o portão aberto, caso esteja. Pura emoção.

Então, Knossos. É um palácio da era Minóica, que ganhou esse nome por causa do Rei Minos. O negócio é velho pra caramba – estamos falando de Idade do Bronze, rapaziada. E todo mundo ficou bem decepcionado quando descobriu que não tem labirinto lá. Mas de qualquer maneira vale a visita e é legal demais.

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Knossos

O escândalo desse museu é um moço polêmico chamado Sir Arthur Evans. Ninguém queria terminar de desenterrar os troços, aí ele foi lá e COMPROU a área toda e desenterrou. Mas o negócio é que ele também restaurou o edifício como ele achava que tinha sido, e isso é suuuper controverso hoje. Tem gente que acha que ele foi criativo demais, e chegou a muitas conclusões sem evidência suficiente. Mas o fato é que não dá mais pra saber, porque já está tudo reconstruído mesmo.

Opinião minha, de leiga ignorante: adorei as partes reconstruídas. Mas é porque eu não me importo tanto com a exatidão da reconstrução, e sim com a sensação que dá de voce estar num lugar que dá pra reconhecer e entender. Muito legal mesmo.

Apesar de que não tem o labirinto, tem um afresco do Minotauro (que deve ter sido o que inspirou o nome do palácio e da civilização e coisa e tal). Parece também que os afrescos foram ‘livremente’ completados pela equipe do Sir Evans, mas eu curto :)

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O minotauro!

Pra não falar que foi só alegria, tivemos duas decepções. A da Deh foi que o acesso à Grande Escadaria de Knossos estava bloqueado. É uma parte suuuper sensível e é preservado pras futuras gerações. Mas como ela mesmo disse, de que serve a gente não poder ver agora pra nossos ta-ta-tataranetos poderem ver no futuro? Nheeeeé!

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Nhé pras gerações futuras

E a minha decepção… aiai. No quarto da rainha, tem um afresco de golfinhos. No guia falava que era lindo, fabuloso, uma obra de arte autêntica e magnífica. E eu fiquei rodando ao redor do tal quarto pra conseguir enxergar o tal afresco famosíssimo, e só uns minutos depois descobri que precisava entrar num corredor que eu não tinha visto (sim, é meio labiríntico o lugar). Tanto trabalho pra ver isso ai:

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Os fabulosos golfinhos da rainha. Cê jura?

Mesmo considerando esse choque, a visita é muito legal e vale muito a pena. Os minóicos nào têm NADA a ver com as coisas que a gente viu na Grécia, mesmo porque são muito anteriores. Não tem nada branco e gigantesco, mas se a gente pensar como essas ruínas são absurdamente antigas, Knossos é mais impressionante que o Parthenon.

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Palácio de Knossos

Sobre beleza e amarelo

Essa semana fui ao médico e peguei o trem de manhã cedinho. Muita gente indo trabalhar, ou cuidar da vida. Fiquei impressionada ao perceber que pelo menos 80% das mulheres usavam maquiagem. Onde eu trabalho, não chega a metade.

Eram mulheres jovens, velhas, magras, gordas, sentadas, em pé, preocupadas, sorrindo, ouvindo música, levando malas. A única coisa que todas tinham em comum é que eram todas bonitas. Todas mesmo. E isso me deu uma dorzinha no coração.

Muitas dessas moças talvez nem usem maquiagem todo dia e naquele dia estavam a fim e passaram um rímel. Algumas talvez usem maquiagem porque faz parte do look de trabalho, ou quem sabe trabalhem numa loja de maquiagem. Mas a dorzinha no coração foi porque eu suponho que algumas dessas moças não tenham se achado suficientemente bonitas pra sair de casa com a cara limpa; talvez elas tenham pensado que precisavam de uma base, de um batom, de um lápis de olho, pra ficarem apresentáveis.

Eu sei como é isso. Eu sei que maquiagem funciona, nem é difícil não. Em dez minutos, a gente fica sem olheiras, fica com a pele mais bonita, fica com bochechas rosadas, fica com olhos marcados. Tanto funciona esse negócio de maquiagem que é comum as pessoas olharem pro meu álbum de fotos de formatura, comigo linda, produzidísima, e dizerem com a maior sinceridade: ‘nossa, nem parece você!’. A coisa é tão extrema alguém disse que eu estava a cara da Sandy. Pois é, eu sei.

Eu acho que maquiagem é bom. Mas acho que melhor é aceitar nossa cara do jeito que ela é, com sardas, com rugas, com olheiras, com espinhas (ai). E ótimo seria, além de aceitar, aprender a achar bonito também.

O método é nunca chegar a menos de dois palmos do espelho : )

Muita gente lê essa pourra!

Tou contenteeee, muita gente apareceu pra comentar!

É engraçado ter gente que eu não conheço acompanhando minha vida. Mas assustador mesmo é ter meus próprios pais acompanhando, haha. Eu penso duas vezes antes de escrever palavrão :o

Pessoas todas, fiquem à vontade pra dar palpite. Eu gosto de palpite, muitão. Não precisa só concordar comigo não – a menos que seja post de mimimi. Aí tem que passar a mão na cabeça, e descer a lenha só no próximo post, mesmo que o assunto seja totalmente outra coisa. Tipo ‘então, bonitas essas fotos aí da Grécia, mas era o caso de parar de mimimi e de chantagem emocional, hein!?’. De leve :)

***

Quanto tem entrega dos correios, eles nunca entregam em casa, porque a caixa de correio é pequenina. Então deixam um aviso pra eu passar lá na filial e pegar. O problema é que no aviso não tem nenhuma indicação do que é, nem de quem mandou. Então eu tou aqui com um papeluxo amarelo que pode ser a. um presente que eu já sei que vou ganhar e que estou esperando chegar; b. um presente que eu acho que vou ganhar, porque já dei a indireta, mas não sei se vem e quando vem; c. uma encomenda que fizeram que não tem graça porque eu não posso abrir; ou d. nenhuma das anteriores. Pura emoção essa vida alemã!

Grecia, parte VII

Saimos de Chania pra pegar praia em Balos. Foi indicacao da minha gerente, e a razao pela qual a gente alugou o Jimmy. E não sei se vou estar exagerando se disser que foi a praia mais bonita que eu já vi.

Pra chegar em Balos, tem que pegar bastante estrada – ela fica no cantinho esquerdo da ilha de Creta. Além de rodovia, tem tambem uma parte grande de estrada de terra, esburacada no último, muito pior que interior de Minas. Tia Bebel ficaria orgulhosa da minha habilidade dirigibilística. Estava tudo bem seco, e não precisei da tração nas quatro rodas. O truque foi mesmo o carro ser bem alto (e também ser alugado, que a gente mete em buraco sem dó). Foi bem legal botar 40 por hora numa estrada que os carros normais estavam a cinco. Vimos um Golf com cinco marmanjos indo a meio por hora :D

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Off-road conversivel

O teto solar nem estava nas especificações; veio de brinde. Na verdade o teto é solar porque metade da carroceria é de plástico, mas achamos grande vantagem, porque aí podiamos tirar fotos superlegais com o off-road conversível. Que nem essa aí em cima. O único problema é que quisemos ser super modernas e descoladas deixando o teto aberto sempre que dava – e conseguimos empoeirar o carro de uma maneira absurda. Deixa pra lá! O importante é cantar this is the moment, tonight is the night, we’ll fight till it’s over, so we put our hands up!

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Like the ceiling can’t hold us

Depois de dez quilometros de estrada horrível, tem que andar mais um quilometro de morro. Ah!, tambem dá pra pegar um ferry de Kissamos. Mas chegar mais cedo que os turistas vale muito a pena o trampo. Porque depois da estrada de terra, depois de comecar a atravessar o morro, depois de lembrar que esqueceu a máquina em cima do capô do carro, depois de a Deborah voltar correndo porque ela é mais rápida, depois de eu chegar arfando e a encontrar tentando arrombar o carro porque eu tinha na verdade esquecido a máquina dentro do carro e não tinha dado a chave pra coitada, depois de eu abrir o carro, pegar a máquina e voltar a atravessar o morro…

A vista de Balos compensa o esforço.

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Balos surreal

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Balos absurda

Gente, isso aí é real! Eu não copiei do Google Images não! E nós fomos nessa praia aí!

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Vista de cima do morro

Essa vista linda é do morro. Chegando lá embaixo, é mais bonito ainda, ou tão bonito quanto, nem sei dizer. É uma área imeeeeensa de água rasinha – a maior parte dá na canela, ou nos joelhos, ou na cintura…

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Dendágua.

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Morro ao fundo. Olha a cor dessa água!

A água é azul, transparente e tem peixinhos também. Sei que não é legal ficar postando fotos não-posadas do zoto, mas deixa eu aproveitar que uma hora dessas a Dedeh está embarcada: tem peixinhos na foto, em primeiro plano!

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Tem peixinhos nessa foto

Peixinhos assim!

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Peixinho

A praia mesmo tem pouca estrutura. Parece que o que chega lá é de barco. Tem um restaurantezinho, tem banheiros (limpinhos), tem chuveiro de água doce pra tirar o sal, tem umas cadeiras e guarda-sóis. E o mais importante – de manhã cedinho, tem pouca gente também.

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Chegando em Balos

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Na praia

Depois de curtir o dia em Balos, a rainha da logística que vos fala tinha planejado pegar o por-do-sol em Falasarna, que o guia disse que é o mais bonito do mundo e a chefe também recomendou; tem uma praia chamada de ‘praia rosa’, por causa de pedacinhos de coral. Diga-se de passagem que antes dessa viagem eu nem curtia por-do-sol. Uma hora de subir morro, uma hora de estrada de terra, e lá vamos nós tocando o terror pra dar tempo de pegar o dito cujo. O sorriso é só pra foto, porque eu estava concentradíssima descendo no pau uma segunda estradinha de terra sinuosa à beça. Ok, pra despreocupar os pais que lêem esse blogue: meu ‘no pau’ é tipo a 30 por hora. Vocês devem lembrar.

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Chasing the sun

E graças à minha habilidade no volante, mais às habilidades de leitura de placas em grego da co-pilota… chegamos a tempo no que pra mim foi o por-do-sol mais bonito da viagem – ganhando de Santorini :O Nas fotos não dá pra ver bem como foi lindo. Se vocês imaginarem que tanto o mar onde o sol se refletia quanto a areia da praia estavam rosas, vai ser mais parecido com o que realmente foi.

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Por do sol

Fenomenal também é que tinha muitas nuvens e o sol se escondendo, e depois reaparecendo, por trás das nuvens foi a coisa mais bonita que eu já vi em termos de por-do-sol. So sorry, Santorini.

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Sol escondido

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Sol saindo das nuvens

A praia em si pareceu também bem legal – é dessas que tem bares/restaurantes gigantescos com milhares de cadeiras e sombrinhas. Na mais próxima, estava tendo um show de uma bandinha, dava pra ouvir de longe. Durante o dia, deve ser super farofa. Adoro! : )

Uma coisa que me deixou entre revoltada e feliz é que, enquanto íamos chegando embasbacadas com o por-do-sol que já estava rolando, as famílias locais que passaram o dia lá iam indo embora, sem prestar a mínima atenção no espetáculo. Na hora em que eu tirei essas fotos, não tinha quase ninguém mais na praia. Fiquei revoltada porque eles não estavam vendo aquela beleza, mas também feliz porque isso deve significar que um entardecer lindo assim deve ser coisa comum lá. Todo dia deve ter essas nuvens lindas, todo dia o mar e a areia devem ficar rosas. Então vocês também podem visitar Falasarna!

Pra fechar o dia, tirei a foto mais bonita da viagem. Eu fico até impressionada com as minhas próprias habilidades. Ficou igual capa de filme. Pergunta se tem uma igual comigo, pergunta. Tem nada! :/

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Foto mais linda da viagem

Terminado o por-do-sol (e umas batatas que a gente achou na bolsa), simbora pegar estrada de novo, que o plano era ainda dirigir umas horas pra chegar em Paleochora. Alguém precisa avisar pro Google que o tempo que ele sugere pros trajetos é considerando estradas alemãs, não cretenses. Ou alguém precisa avisar pra rainha da logística que ela precisa ser menos megalomaníaca no planejamento de viagens :)

Ninguém lê essa pourra

Vou renomear esse blogue pra ‘Ninguém lê essa pourra’. Brincadeira, que já tem um blogue com esse nome ;D

O fato é que geral fica assinando o blogue, recebe os posts na caixa de email sempre que eu escrevo, e vir aqui comentar, necas de pitibiribas!

Eu não escrevo pra alcançar as massas, gente. Eu escrevo pra me comunicar com vocês, em vez de ficar mandando aqueles emails enormes com 34 destinatários que você sempre esquece de incluir a tia Fulana e depois alguém pede pra encaminhar de novo. Então vocês façam o favor de vir aqui, passar a mão na minha cabeça quando eu fizer post de mimimi, comentar alegremente quando eu fizer posts alegres, dizer que eu estou linda e inteligente nas fotos, dizer que as idéias que eu tive foram ótimas (ou não – viva a honestidade), esse tipo de coisa que a gente espera dos amigos e da família e até dos desconhecidos que acompanham o blogue quando a gente tá morando do outro lado do mundo onde faz frio e não tem coxinha. Combinado? : )

Feliz aniversario de Frankfurt pra mim!

Hoje faz um ano que eu cheguei nessa cidade com duas malas e toda a boa vontade do mundo. Foi um ano difícil, e foi um ano bom.

Eu tive várias “primeiras vezes”. Eu adoro primeiras vezes. Porque é uma coisa diferente, porque voce nunca fez antes, porque voce não sabe fazer e tem desculpa se fizer tudo errado :) Hoje, se eu tivesse que escolher de novo onde morar, eu faria escolhas bem diferentes. Se eu pudesse começar de novo minha carreira aqui, eu faria diferente. Se eu fosse cortar meu cabelo sozinha de novo (opa! preciso fazer um post a respeito!), eu faria diferente. Isso provavelmente quer dizer que eu aprendi alguma coisa, né?

Comparando com seis meses atrás, eu estou *muito* mais feliz. Eu ainda não sei alemão. Eu tenho poucos amigos, e estou bem longe de ter aqueles amigos que aparecem na sua casa sem convite pra passar a tarde de papo ou jogar uma partida de gamão. Eu ainda preciso aprender milhares de coisas no trabalho, e estou bem longe de ser promovida. Mas esses fatos não me deixam tão frustrada e desanimada como antes. Acho que estou muito melhor equipada pra enfrentar o inverno que vem chegando.

Eu gosto de lembrar que tenho muita sorte e sou muito afortunada. Eu tenho pessoas incriveis na minha vida. Tenho saúde, emprego e uns trocados guardados. E eu estou onde eu queria estar.

 

flor

State of love and trust

Não sei se o que vem chegando é o inverno ou a velhice – o fato é que o plano de sexta à noite é fazer pipoca, ler o Harry Potter e dormir cedo e quentinha. Brrrrr!