O riso dos outros

A discussao do final de semana foi sobre esse video aqui:

(a introducao longa e muito legal do Alex Castro esta’ aqui, pra quem tiver interesse)

O video fala sobre como uma piada nao ‘e so’ uma piada, e essa piada pode reafirmar ou desafiar os preconceitos existentes. E que, como fazer piada quebrando os paradigmas ‘e muito mais dificil do que fazer piada de loira burra, os humoristas que conseguem fazer isso sao melhores.

Temos dois pontos ai. O primeiro ‘e que piada nao ‘e so’ uma piada.

Tudo que a gente fala passa uma mensagem; como a gente fala passa uma mensagem. Voce pode querer ignorar isso, mas talvez nao funcione muito bem na vida pratica. Porque se voce fizer uma piada de estupro pra alguem que ja’ foi estuprado, essa pessoa nao vai achar so’ engracado. Voce esta’ sim passando a mensagem de que o estuprador merecia um abraco, por mais que diga isso brincando. Com toda piada de loira burra, e de gay viadinho, e de mulher ciumenta e louca, voce esta’ contribuindo pra cimentar mais um pouco essas ligacoes.

Amigo argumentou comigo que um Rafinha Bastos nao ‘e formador de opiniao DELE, que ele tem senso critico, que ele se informa, e que ele ignora as merdas que o cara fala pra so’ ouvir o que ‘e engracado. Seria lindo se todo mundo fosse assim. Porque eu tive o desprazer de ir ao Comedians com a galera do trabalho, todo mundo formado, informado, viajado, e ouvir a piada do estupro ao vivo. E metade da mesa riu.

O segundo ponto ‘e que fazer piada construtiva ‘e mais dificil.

Isso eu nao posso opinar, porque nao sei fazer piada nenhuma, nem construtiva, nem destrutiva. Mas como diz a Lola, piada de negro e de estupro ate’ meu tataravo ja’ contava, entao nao ‘e assim uma coisa moderna. Considerando quanta (muita) gente faz piada reforcando os preconceitos e quanta (pouca) gente faz piada desafiando os preconceitos, eu imagino que seja mais dificil esse segundo ai.

E isso torna o humorista melhor?

A minha humilde opiniao ‘e que, qualquer coisa que eu possa fazer pra diminuir os preconceitos, mesmo que seja pequena, eu quero fazer. Se eu tiver que fazer o grande sacrificio de deixar de contar piada preconceituosa, acho que ‘e uma perda muito pequena na minha vida :).

A minha liberdade de expressao ser assegurada nao me impede de ser babaca. Se eu quiser falar tudo que passa pela minha cabeca, eu vou ofender as pessoas. E’ isso que eu quero? Ou eu prefiro patrulhar as merdas que eu falo, pra falar menos merda?

Se alguem fala que determinado termo ‘e ofensivo pra ele, por que eu vou discutir? Conheco gente branca por ai dizendo que adora macaco e portanto falar que um negro ‘e macaco nao ‘e ofensivo pra ele. Legal que voce tem esse dom da onisciencia, de saber o que ‘e ou nao ofensivo pros outros! E’ tao dificil assim ouvir as pessoas e aceitar que elas entendem mais da dor delas mesmas?

(Eu acho que ‘e dificil sim ouvir as pessoas. Especialmente as pessoas com as quais eu nao tenho contato; mas tambem as que estao do lado e que eu preciso de uma sacudida pra notar. Mas a gente vai caminhando, e se informando, e discutindo, e aprendendo.)

No video alguem fala que o mundo ja’ tem as mazelas dele, e que os humoristas estao apenas relatando essas mazelas. ‘E um ponto de vista… mas se eu puder fazer parte das pessoas que estao tentando mudar essas mazelas, ao invez de aceita-las e pronto, eu prefiro :)

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2 thoughts on “O riso dos outros

  1. uma outra coisa que ficou clara pra mim com esse video eh: os comediantes so fazem as piadas que fazem porque o publico ri. ou seja, pra parar de escutar piada babaca podemos comecar parando de rir de babaquice =)

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