La vie en rose

A pausa dos relatos das ferias foi porque, no final de semana, fui ali a Paris.

Na verdade, na verdade, a pessoa que eu ia encontrar por la’ teve que cancelar a viagem, meus amigos que la’ moravam nao moram mais, as pessoas que moram perto nao puderam me encontrar por la’, e todas as boas almas que eu tentei convencer a ir junto nao se animaram. E na verdade, na verdade, eu estou/estava bem morta de cansaco, porque ainda nao descansei das ferias. Mas como comprei daquelas passagens baratinhas que nao pode nem remarcar nem cancelar, e eu sou uma muquirada de marca maior, arranjei um albergue e fui.

Gente, ate’ botei uma Edit Piaf aqui pra me animar a escrever esse post, pra nao ser apedrejada demais. Mas nao adianta e eu vou confessar: eu nao amo Paris.

O QUEEEEEEEEE? (producao, voz do Hoerlle)

Pois é, já teve boatos que eu sou adotada. Porque lá em casa todo mundo é assim.

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Essa é a Lud. Ou a Dani.

Fiquei pensando sobre isso e tenho duas explicacoes. Uma é que Paris, e o parisiense, sao muito finos, muito sofisticados, muito elegantes. E eu sou mendiga. Eu ate’ pensei em ir bonitinha pra Paris, já que era Paris, mas a fadiga nao deixou e fui-me embora com minhas jeans com barra por fazer e minhas camisas dos bitous e meus tenis que eram pretos mas depois de andar em mil antiguidades em Atenas ficaram um pouco cinzas. E me senti tao peixe fora d’água quanto me sentiria se tivesse levado lindos vestidinhos e sapatinhos de salto. Porque a elegancia de Paris nao se imita com um vestidinho, é uma coisa que eu nao possuo e nao sei onde compra. Eu fico olhando as mocas magrelas com suas regatas e seus cachecois (porque nao se sai de casa em Paris sem um cachecol – faca sol ou faca chuva – colocar o cachecol deve vir em ordem de importancia antes de escovar os dentes antes de sair de casa) e os mocos com seus sobretudos e suas sobreposicoes e seus tenis cool (e seus cachecois), e fico pensando que nem se eu pedisse ajuda pra Lud eu ficava igual.

A segunda coisa… sao os turistas. Oh, as hordas de turistas. Oh, as hordas de turistas profissionais – aqueles que nao olham as coisas, mas tiram fotos; aqueles que vao nos pontos turisticos pra riscar da lista. Os pontos turisticos sao turisticos justamente porque merecem a visita, e acho que tem que visitar mesmo. Mas em outros lugares – viagem de praia, por exemplo – eu sinto que as pessoas estao ali pra curtir, relaxar, tomar uma cerveja, tranquilamente. Em Paris eu sinto o burburinho e a aflicao das pessoas que tem que chegar ao museu antes que ele feche, que estao tristes porque a fila da Notre Dame estava muito grande e nao deu pra entrar, que tem aquela carinha exasperada de ‘nao vai dar pra ‘fazer’ tudo!’. Eu sinto isso, e isso me deixa aflita.

E a terceira coisa, mas dessa eu nao tenho tanta certeza… é que em Paris, tudo é bonito. E eu adoro o que é bonito. Mas eu gosto tambem do que é prático :) E eu gosto mais ainda do que é prático e bonito. Paris me dá a impressao de que gasta muita energia sendo bonita, com bem pouca preocupacao com a praticidade. Mas isso pode ser só porque agora eu sou meio porcento germanica, né? :)

Bom, mas chega de mimimi e falemos das coisas boas de Paris. A melhor delas foi visitar a cidade SEM lista de afazeres! Nada de lista de museu, tem que ir no Sa-cré-cré, tem que ver onde filmaram a Amelie, tem que isso e que aquilo. A unica, vejam bem, UNICA, coisa na minha lista era visitar o melhor sorvete de Paris, dica da Carmen. E num final de semana de final de temporada, com tudo lotado, e filas imensas pra tudo quanto é ‘atração’, isso foi melhor ainda. Ah, a outra coisa que estava na lista era terminar de ler meu livro. Check, check.

O que mais eu fiz? Passeei, passeei. Indo de um lado a outro, eu cruzava todas as pontes, sem pressa, sem destino. Um sorvete aqui, um crepe ali. Depois uma batata, e mais tarde um tartare…

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Ponte das Artes

Quanto aos sorvetes: o melhor sorvete da cidade (dica da minha gerente e tambem ouvi uma guia falando pra uns velhinhos, perto da sorveteria) é o Berthillon. Só tem dele na Ile de St Louis, que é aquela pequenina atras da Notre Dame. A loja Berthillon mesmo estava fechada, mas tem varios estabelecimentos que revendem. Quase todos nessa ilhota.

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Um beijo, Carmen!

(pequeno parentesis pra falar da ilhota – adorei. É cheia de lujinhas e restaurantinhos e sorveterias, e por milagre, nao tem turista. Ou tem pouco turista. Ali dava pra sentar na beira do rio e ficar tranquila)

O segundo melhor sorvete de Paris, ao que consta, é o Amorino. Eu experimentei um sabor que se chamava ‘inesquecivel’, ou ‘inconfundivel’ (pra voce ver, já esqueci e confundi) e estava fenomenal tambem. Essa marca é mais cara e mais bonitinha. Essa barraquinha estava no Jardim das Tulherias (sim, eu olhei no google, e parece que existe essa palavra – tulheria).

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Amorino, seu lindo!

O terceiro melhor sorvete de Paris (pois é, a lista era grande) eu nao experimentei, entao nao falarei nada.

Uma coisa que eu adorei é que a cidade estava bem movimentada por causa do verao. As praias no Sena tinham acabado de acabar (Shade!) mas tinha coisa comecando. Uma exposicao de um moco chamado Li Chen estava sendo montada e eu nunca tinha visto isso – o pessoal estava tirando as obras das caixas, com guindaste e tudo! E as obras vinham com um negocio nojento parecendo um chicletao gigante, pra acolchoar! Adorei e teria ficado horas olhando, se nao fosse pela cara da moca que estava passeando comigo e queria ver PARISSSSS, nao as esculturas de Li Chen sendo desempacotadas. Uma pena.

Precisa nem explicar por que eu adorei o moco, ne?

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Uaaaah.

A proposito, voces ficam ai falando que Paris é romantica, mas as duas vezes que eu fui, fui sozinha, e dessa vez fiz amizade com duas brasileiras – ambas recem-divorciadas. Nao sei qual é a traducao do nome desse barco que passou, mas achei super pertinente.

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Capitaine Fracasse : (

Voltando a falar sobre a beleza de Paris – tudo é lindo. E como tem lujinha bonitinha, com mil coisas bonitinhas dentro! E as lujinhas de chocolate? E de macarons? E de biscoitinhos? E as sorveterias? E as papelarias, e as lujinhas de souvenir, e as lujinhas de coisinhas? A sorte do meu minimalismo é o meu muquiranismo, porque Paris está pela hora da morte, bebe. Sorte que pra olhar e tirar foto e achar lindinho, nao paga!

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Lojinha fofolucha

Andando pela cidade ‘a toa, fiz outro achado: uma loja que vende sapatilhas de balé. Fiquei apaixonada e quase fui comprar uma (mentira. mentira). Na vitrine, essa saia enorme ficava esvoacando. Lá dentro, prateleiras e prateleiras de sapatilhas. E candelabros maravilhosos. Eu nao tive nem coragem de entrar, fiquei olhando humildemente do lado de fora que nem cachorro vira-lata. Aaaah, se eu fosse numa dessas com quinze anos! Chama Repetto.

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No final das contas, o que eu fiz em Paris foi andar, andar, andar, sentar no sol e ler um livro, bater papo com as pessoas, ver shows de rua, comer, comer, comer mais um pouco, andar pra ver se a comida assentava e dava pra comer mais. Olhei mais que tirei foto – mas nao resisti ao sol que bateu quando estavamos perto da Notre Dame.

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Notre Dame, sua linda!

Paris, mon amour, da proxima vez volto acompanhada. Por enquanto, sigo preferindo o Meno ao Sena.

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Quase tao bonito quanto o Meno!

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4 thoughts on “La vie en rose

  1. Adorei a primeira fotinho (très chouette)! Me identifiquei totalmente, hohoho.
    Também rolou toda uma identificação com a escultura do moço dormindo na nuvem. E com os sorvetes. Acho que o que faltou nesse passeio foi eu =).
    E não se preocupe por não amar Paris. Eu amo por nós duas, e mais um tanto, pra garantir que ela não fique magoada =D.
    Beijos!

  2. Gosto é gosto. Lembrando que eu odiei Berlin com muita força e amo Paris com todo o coração. E pelo que lembro você acha Berlin a melhor cidade do mundo.

    Ah, mas se você tivesse levado seu sorvete e o livro para ler em um parque como o Monceau, junto com um piquenique de pão francês com produtos locais comprados em qualquer monoprix,..
    Ou ido para o minúsculo e escondido jardim da Anne Frank, ler debaixo das árvores floridas ou do corredor de plantar, até mesmo do jardim do Palais Royale que é lindo de morrer, duvido que ia querer ir embora.

    • combinado, eu amo berlim por voces, e voces amam paris por mim! sim, eu preciso voltar acompanhada por alguem que ame a cidade. todos os lugares la’ sao lindos e fofos, acho que falta ‘e um sentimento :D

  3. Lud e Léo declarando seu amor por Paris… Alguém precisa ficar do seu lado, Isa.
    Tudo bem… Eu não tenho propriedade nenhuma pra falar de Paris porque eu não a conheço pessoalmente e posso ser preconceituoso, mas, honestamente? Eu acho que deve ser um saco! Não a cidade em si, mas toda aquela atmosfera super pouco prática como você bem descreveu (eu acho). Tudo o que eu leio sobre Paris e todos os parisienses que conheci eram extremamente chatos(as). Sans exceptions!

    Visão completamente diferente eu tenho do interior da França. As pessoas de Lille, de Toulouse, de Marseille e até de Bordeaux era tão tranquilas e educadas!!! Posso estar generalizando, mas as pessoas parisienses até hoje não me convenceram de que a cidade era tão “magnifique et sympathique” quanto eles(as).

    Gostei muito da sua narração e acho que minha visão (se eu conhecesse Paris) seria muito próxima, mesmo que eu seja um apaixonado por museus!!!

    Aposto que este assunto é motivo de polêmica na sua casa! Não vou nem sugerir uma enquete para evitar declarações de guerra! ehhehehe

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