Burgermeister

Inaugurando serie nova – eu sei que ninguem vem a Ffm pra visitar, mas se vier, ficam as dicas!

O Burgermeister fica em Sachsenhausen e o Fakir ja’ tinha me recomendado. Fui la’ e aprovei.

O site da’ o endereco e tem o cardapio, tudo em alemao. Nao tem como errar – fica na savassinha, que tambem tem outros lugares bacanas de comer, mas por enquanto esse ‘e o melhor. Alem de ter uns sanduiches mais comuns, tem uma parte de ‘hamburgueres do mundo’ que ‘e bem legal.

Eu acabei pedindo o Der Lombarde, que tem uma combinacao muito fina de gorgonzola e nozes. Fui ate’ zoada porque ando numa de comer umas combinacoes esquisitas – e juro que essa ai deu muito certo! Mas pra quem nao tiver a fim de arriscar, tem xis-burguer-ovo-e-bacon tambem.

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Hmmmmm!

Nao achei barato (o hamburguer foi quase 9 euros; uma cerveja pequena, 2,50) mas ‘e grande; nao pedi batata e ainda assim foi bastante comida. Boa pedida pra comecar a noite – o perigo ‘e ficar com soninho depois de bater um hamburgao :)

Endereco: Dreieichstraße 20
Frankfurt am Main
+49 69 66113666

Brincando de casinha, parte II

Sentei na frente do computador (agora com internet) pra definir o que comprar e quanto vou gastar nessa brincadeira de montar casa.

O racional ‘e o seguinte: quero as coisas mais baratas que nao sejam horrorosas. E’ que agora vou comprar tudo e vai ser um rombo no bolso; mais tarde, eu posso investir numa mesinha mais bonita, ou num armario mais bem-dividido. Quero comprar so’ e apenas os moveis que eu vou precisar, porque nao tem como descomprar depois (mas, ao mesmo tempo, a taxa de entrega da loja ‘e unica – eu preciso comprar so’ que eu preciso, mas de uma vez so’). Eu prefiro ter menos moveis a ter mais, porque a casa fica mais livre, eu tenho menos espaco pra guardar tranqueira, e gasto menos em movel, maravilha. Ah!, e eu quero comprar tudo de uma vez, na mesma loja, pra poupar tempo e estresse.

Contrabalance isso com o desejo de morar numa casa vagamente bonitinha e aconchegante e me diga: como faz?

Comecei tentando definir que moveis eu quero para qual comodo e por que razao, mas mesmo ai nao estou bem certa. A sorte ‘e que eu so’ preciso pensar mesmo no quarto e na sala; banheiro e cozinha nao tem muito o que decidir.

No quarto ‘e facil: quero uma cama e duas comodas, uma de cada lado – pra guardar coisas e fazer as vezes de mesinha de cabeceira. Um guarda-roupa. Uma escrivaninha, uma cadeira confortavel. Sem contar o colchao, ai ja’ vao 500 euros – e nao sao os moveis mais bonitos nao! Sao so’ os mais baratos que nao sao horrendos.

Na sala, a coisa fica toda complicada. Um sofa, fato (de novo – o mais barato que era confortavel e nao totalmente horroroso – que coisa cara ‘e sofa’!). Duas mesinhas de apoio, so’ porque sao baratcheeeenhas (5 euros cada). Um tapete. Um barzinho movel (eu queria mesmo era um bar que nem essas casas da decada de 80 – mas parece que a Ikea ‘e modernete e o maximo que da’ pra achar ‘e um assim). E o que mais? A principio nao quero ter teve – o que quer dizer que nao preciso do movel da teve, muito bom. Preciso de uns armarios pra guardar bugiganga. E tambem gostaria de uns pufes, que nao achei ainda. Sem os pufes, de novo, mais ou menos 500 euros.

O plano ‘e comprar todos os moveis brancos, pra eles se combinarem de alguma forma (porque sim, alguns sao retos, outros eu nao sei dizer como sao, mas nao sao retos). Acho que mesmo assim, vai virar um samba doido. Isso sem falar das coisinhas bonitinhas que fazem a casa ter cara de casa – umas almofadas, umas luminarias, uns trens decorativos. Esses nao sei nem como ‘e que vou escolher – acho que vou ter que importar a minha mae pra ajudar : (

Somando tudo, incluindo colchao, mesa de cozinha e uma ou outra coisa, acho que vai dar pelo menos 1500 euros. Isso ‘e pouco? ‘E muito? E’ um investimento na minha felicidade, ou estou queimando dinheiro que poderia ser convertido em viagens se eu dormisse no colchao inflavel que eu ja’ tenho e almocasse no chao? Oh, duvidas crueis!

Choque

Faz menos de duas horas que entrei no Brasil e ja’ levei um choque aqui no Rio. E nao foi com o preco da coxinha (cinco e vinte! e era uma coxinha pequena!). Foi que a conta deu R$12,10. Tirei a nota de 50 do bolso ja’ me preparando pra me encher de moedinha, mas o cara perguntou se eu tinha uma nota de dois (e eu tinha) e cobrou so’ doze. E os dez centavos sumiram, minha gente!

Ja’ aconteceu da conta dar 3,80 no supermercado e eu ter 3,79 de moedinha e o cara nao aceitar. Tive que pagar com uma nota de 20. E o caixa nem se abalou – um centavo ‘e um centavo e se a coisa pudesse ser comprada por 79 nao custava 80.

Quinze minutos depois foi a hora de pesar a mala de mao – no voo internacional ela passou, mas no nacional so’ podem cinco quilos e ela pesou oito. Eu me disponibilizei pra passar umas coisas pra mala despachada, mas o cara falou, ‘aaaah, tudo bem!” e me mandou embora com a mala de mao com quase o dobro do peso permitido.

Nao e’ que eu esteja reclamando que a gente ‘e um povo simpatico e que tenta resolver os problemas dos outros. Eu adoro isso. Essa boa vontade, eu nao vejo em outros lugares. O negocio ‘e que a coisa nao tem regra. Eu chego no aeroporto sem saber se passo ou nao passo com os quilos a mais. Acho que a palavra ‘e imprevisibilidade – nao da’ pra saber como vai ser.

O dia que eu desaprender a lidar com essa imprevisibilidade ai, deve ser porque fiquei alemoa demais : /

Brincando de casinha

Dia desses fui ‘a Ikea, mas nao tinha as medidas da casinha nova, de modo que so’ olhei, anotei uma coisa ou outra e ficou por isso mesmo. Mas semana passada finalmente fiz a planta baixa da casa e estava pronta para pesquisar moveis na internet, quando fiquei sem internet.

Acabou sendo bom – passei a planta baixa, em escala, pro papel quadriculado, e me diverti com o catalogo em papel da Ikea. Quando eu era crianca e queria reorganizar o quarto (normalmente trocar os moveis estava fora de cogitacao), era assim que mama me dizia pra fazer: desenhar os moveis em escala tambem, pra saber o que cabe onde.

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Mi casa, su casa

Acabou que o catalogo nao tinha tudo que eu queria e ainda preciso olhar varias outras coisas, mas ja’ decidi trocar a sala pelo quarto e estou cheia de ideias : )

***

Esse negocio de nao so’ escolher casa, mas pagar aluguel e ate’ comprar moveis, esta’ me deixando assim meio aflita. ‘E que eu sou mimadinha e nunca tive casa antes – era sempre a empresa que pagava um flat mobiliado, e eu levava no maximo umas fotos e umas velas. Nao so’ estou preocupada com a grana que vai embora com isso, como com o fato de que eu vou deixar de ser movel. Pela primeira vez na vida, tudo que eu tenho nao vai caber em algumas malas. Era pra eu estar achando isso bom?!…

O google ‘e que ‘e relapso

O que eu mais gosto do sistema de estatisticas do wordpress ‘e que ele anota quais pesquisas no Google cairam aqui.

Essa semana teve “o que é uma irmã muito relapsa”. Espero que nao tenha achado resposta, humpf.

Tambem tocam meu coracao “todo mundo dançando fantasiado” e “todo mundo dançando fantasiado no escritorio”. Adoraria que tivesse mais disso por aqui, mas parece que a unica palhaca que danca (fantasiada ou nao) sou eu.

Outro que nao foi feliz foi quem procurou “apartamentos de novela” – aqui so’ tem novela de apartamento… por outro lado, quem procurou “nao quero mais pagar aluguel” pelo menos achou algum mimimi sobre o assunto para nao se sentir sozinho : )

E acabei de ter uma revelacao: sempre me perguntei porque algue’m que procurou “relapica” chegou aqui. Mente suja de engenheira, gente. O que a pessoa queria dizer, assim como quem digitou “relapicia”, nao era palavrao nao – era “relapsa”, mesmo.

Visita ‘a sede

A gente trabalha aqui em Frankfurt mas fala direto com os mercados – o pessoal que trabalha nos escritorios da Europa inteira – e tambem com o pessoal da sede, que fica em Vevey, na Suica. Com alguns deles eu falo pelo menos duas vezes por semana, por email, telefone, conferencia, e nunca tinha visto. Dai a minha chefe me mandou pra la’, pra conhece-los.

Fui num workshop (que e’ como eles chamam reuniao de gente de todo canto) de nutricao e tinha gente da Europa toda; alguns que eu ja’ conhecia de nome, outros com os quais ja’ tinha trocado email. Mas o objetivo mesmo era visitar o predio da sede e o pessoal que fica por la’.

(eu tinha pensado em fazer esse post sem falar o nome da empresa, mas se jogar Vevey no google nao tem como esconder, hehe.)

A Nestle tem a sede em Vevey, que ‘e uma cidadezinha fofa do lado de um lago enorme, embaixo dos Alpes, entre a Suica e a Franca. A cidade mesmo nao tem muita coisa, sao 14.000 habitantes, e quatro predios da Nestle. Ate’ avenida Nestle tem na cidade.

E a sede… veeeeeeeeeei.

A sede foi feita pra impressionar os visitantes. Eu fiquei impressionada.

E’ um predio gigantesco, de seis andares, no meio da cidadezinha, na frente do lago, virado pras montanhas. O predio ‘e inteiro de vidro, de quase todas as salas a vista ‘e linda, e de todos os corredores ‘e maravilhoso. ‘E um espetaculo de predio. Ele faz um Y espelhado, de um jeito que de dentro do predio mesmo voce consegue fotografar o predio, o lago, as montanhas… acho que foi feito pra isso, hehe.

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Essa bandeirinha da Suica ‘e uma fofura

Por dentro nao tirei fotos, mas tambem ‘e lindo e muito espacoso. Ele ‘e todo irregular, tem um monte de escadas de diferentes tipos e ate’ escada rolante. Luxo!

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Da’ pra ver os Alpes?

O sexto andar ‘e todo de vidro, e tem um monte de exposicoes sobre os produtos. E’ pra levar cliente. Tem paineis falando sobre os produtos, sobre os principios da empresa, sobre os mercados… tem uma ‘area falando da India (a importancia do mercado tanto como consumidor quanto como maior produtor de leite do mundo, entre outras coisas) e tem uma tv que fica passando os comerciais da Nestle na India. Desnecessario dizer que fiquei quase meia hora la’, ne’. Tem falando sobre chocolate, que ‘e o produto que mais se compra por impulso, de modo que tem que deixar stands de chocolate na saida do supermercado, onde o cliente possa ver e pegar e resolver que quer levar pra casa. Tem stands falando sobre o comprometimento da Nestle com as diferencas culturais (por exemplo, comidinhas kosher e helal). O mais impressionante ‘e essa ‘area enorme, no alto do predio, que fica la’ a disposicao das visitas. Precisa ter muita grana pra fazer isso…

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Vista do sexto andar

A cantina e’ outra coisa impressionante. Voce chega e tem paines imensos propagandeando quais sao as opcoes do dia – com os dados nutricionais, claro. Tinha pelo menos 6 opcoes nos dois dias que comi la’. No primeiro, bife grelhado (fonte: Suica e Brasil) com batatinha, porque eu queria muito comer bife. No segundo, peixe e camaroes ao molho caribenho – tinha uns pedacos de coco, de abacaxi, uma pimentinha, muito bom! A Suica ‘e horrivelmente cara, mas a cantina nao ‘e cara nao. Ah!, e tem um montao de doces, paves, frutas, bolos… hmmmm!

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No jardim do primeiro andar

Aproveitei tambem pra ir no predio onde fica o D&B (pessoal que eu falo todo dia e que sao muitao importantes); era uma antiga fabrica, mas o predio ‘e todo colorido e legal e tudo o mais. E por fim, fui na Nestle Suisse. Esse ‘e um caso ‘a parte…

O caso ‘a parte ‘e que la’ tem um usuario que me atazana muito. Ele parece determinado a provar que um relatorio que a gente da’ suporte na verdade nao funciona. Pra ser sincera, o relatorio ‘e super complexo, tem mil regras, mas os cenarios sao mais complexos ainda e nao duvido nada que existam regras que o relatorio nao contempla (ainda). Bom, mas o fato ‘e que ele estava enchendo minha gerente de email e ela disse pra ele, moco, tenho uma boa noticia – a Isabela ta’ INDO AI resolver seus problemas! Dai ele mandou mil problemas, eu trabalhei ate’ de noite, acordei ‘as 6 pra tentar analisar, mas nao consegui respostas – e achei que ia ser apedrejada pelo moco e todos os seus planejadores. Preparei minha sainha xadrez e minha melhor cara-de-pau veja-bem de consultoria, respirei fundo e fui.

E nao ‘e que o moco foi um fofo comigo?

Me mostrou o escritorio, os planejadores, contou historia, me explicou um monte de coisa… Legal demais ir em escritorio de mercado, varios displays de produtos por todo lado, um clima totalmente diferente dos nossos escritorios de TI! O problema era num co-pack – basicamente, um co-pack ‘e um produto que ‘e um re-empacotamento de uns produtos que ja’ existem. Por exemplo, dois Leite Moca embalados juntos, ou varias barras de chocolate juntas. Eles colocam outro codigo de barras, a validade, um preco promocional, e esta’ ai’ seu co-pack.

E pra completar a fofura, nao ‘e que ele me deu um co-pack de cinco barras de chocolate?
Mas nao tem foto, porque esse co-pack esta’ no escritorio, esperando eu resolver o problema da dependent demand pra abrir :)

Habemus casammm! (e vovo’)

Entao, a novela do apartamento.

O ap que eu gostei mais respondeu que eles so’ alugavam pra gente que fala alemao. ‘E que no mesmo terreno dos aps tem a casa da vovo’ do proprietario, e ela gosta de bater papo com os inquilinos, e ela so’ fala alemao.

Como a sorte acompanha os audazes, mais que depressa respondi (em alemao) que isso era otimo, porque eu tou estudando alemao e seria fantastico ter alguem pra conversar. Respondi virgula; eu escrevi o texto mas pedi pra moca alema do escritorio revisar e ela mudou tudo. Melhor ainda. E nao ‘e que colou?

Marcaram a visita pro pior horario possivel, mas eu remarquei outras coisas e fui la’. O ap era mesmo fofo – e’ o maior que eu achei dentro do meu orcamento, cozinha completa, supermercado e ponto do tram perto… No final da visita, fomos ver a vovo’. Mas eu so’ sorri educadamente e nem falei nada. Na saida, arrisquei um ‘ate’ breve’ de quem esta’ confiante de que em breve esta’ voltando com mala e tudo.

Aqui em Frankfurt funciona assim: como tem muuuita procura, os proprietarios podem escolher os inquilinos. Pra indicar que eu tinha interesse pela casa precisei preencher e assinar um formulario contando a minha vida, onde trabalhava, cargo, salario, mil coisas. Outros candidatos visitaram o apartamento no mesmo dia, nao sei se se interessaram tambem. Sei que mandei copias dos holerites no dia seguinte e fiquei esperando resposta.

Tres dias depois o moco que ajuda a gente a achar casa me liga avisando que tinha uma reuniao pra discutir o contrato. Fiquei toda feliz e pimpona – quer dizer que tinha passado? Naaaaaaao. Quer dizer que eles queriam me conhecer, pra saber se queriam me oferecer o contrato. Aiaiai.

Fui pra reuniao super nervosa, como quem vai pra entrevista de emprego. Me aconselharam ate’ a decorar umas frases – sou solteira, nao tenho animais de estimacao, vou ficar na Alemanha pelo menos dois anos, trabalho em tal lugar… Cheguei la’ com o moco e estavam o proprietario e a vovo’. A reuniao foi todinha em alemao; eu bem quietinha prestando atencao e entendendo so’ metade. E no final… me entrevistaram. Em alemao. A sorte foi que perguntaram exatamente o que eu tinha treinado responder; e mesmo assim eu embatuquei em varias perguntas. A isso se seguiu uns cinco minutos dos dois discutindo, em alemao, se me queriam ou nao. E eu so’ entendendo metade, vejam so’ o drama.

No final das contas o cara riu, falou que eu tinha sido aprovada, e que mandava o contrato em breve. E terca feira eu assinei o contrato, em alemao. Yey!